por Filipe Lutalo
Nem toda estação abandonada está realmente vazia.
A campanha ASMO – Protocolo de Recuperação continua revelando os segredos da estação mineradora TUPÃ-123.
No Relatório Operacional nº 002, a tripulação do cargueiro espacial DTR-07 PEABIRU finalmente alcançou a estação após uma longa viagem pela Nuvem de Oort. Antes mesmo de iniciar a missão, problemas mecânicos, uma caminhada espacial e o silêncio absoluto da base já indicavam que algo estava errado.
Agora, no terceiro registro, a equipe finalmente inicia a exploração da estação. Corredores vazios, sistemas parcialmente operacionais e novos indícios reforçam que os acontecimentos na TUPÃ-123 são muito mais graves do que aparentavam nos primeiros relatórios. Cada decisão tomada pela tripulação aproxima a missão de respostas — e também de novos perigos.
O documento abaixo foi registrado pela IA corporativa IARA, responsável por monitorar a missão, acompanhar a equipe e documentar os acontecimentos observados durante a operação.
A seguir, publicamos integralmente o Relatório Operacional nº 003, correspondente ao terceiro evento da campanha ASMO – Protocolo de Recuperação.
Boa leitura.
— RPGames Brasil
RELATÓRIO DE OBSERVAÇÃO OPERACIONAL
Registro nº 003 — 24 SET 2181 – DIA 60.
- Documento Gerado pela IA Corporativa IARA.
- Nível de Acesso: Tripulação Operacional.
- Nave: ASMO DTR-07 PEABIRU.
- Supervisora Responsável: Athena.
- Tripulação: Estela (navegadora); Brettaz (operador de carga), Lucas (engenheiro), Selene (geóloga), Júnior (médico).
Uma mensagem chegou para Selene. Ela a recebeu e a leu no canal de voz para toda a tripulação.
“Selene… Eu demorei para responder porque precisava decidir se devia enviar isso. A transmissão não é segura. Achei que a Mara estivesse obcecada. Hoje eu já não tenho tanta certeza. Antes de morrer ela me deixou apenas uma mensagem: ‘Se um dia enviarem outra equipe para a TUPÃ-123...não deixem que levem as amostras.’ Eu nunca entendi. Mas você conhecia a Mara melhor do que eu. Tome cuidado. Assinado: Raul Peçanha. Fim da Transmissão”.
A preocupação de Raul Peçanha sobre a segurança da do canal comunicação, muito provavelmente, está ligada ao fato que todas as comunicações das naves da ASMO são monitoradas pelo controle central. Entretanto, o crucial é que ele incita os tripulantes a insurgirem contra o comando da ASMO.
Selene informou a equipe que Mara era uma amiga e geóloga espacial da ASMO. Ela faleceu enquanto pesquisava o que intitulou: “Anomalia Geológica”.
Athena deixa escapar em voz alta um pensamento. Essas amostras seriam o contêiner solicitado como prioridade pela ASMO? Nem mesmo ela sabe.
***
Estela havia levado a DTR-07 PEABIRU para abastecer. Da Engenharia. Lucas liberou o combustível e observou que a menos de 30 dias, uma nave abasteceu no asteroide. Isso soa estranho. O sinal de SOS foi emitido há 58 dias. Quem esteve no asteroide nesse intervalo de tempo e por quê? Será que eles socorreram os sobreviventes.
Athena, Selene e Estela encontraram-se com Brettaz na Zona de Carga. Por segurança, ela e Estela se armaram com uma pistola laser pesada e levaram para Brettaz uma carabina laser. Para os humanos, o desconhecido pode ser enfrentado com uma arma.
Enquanto procuravam, Brettaz percebeu que alguém tentava deslocar a ponte rolante com um contêiner. Lucas rapidamente desligou a energia da ponte rolante. Brettaz percebeu alguém fugindo pela superfície do asteroide, mas preferiu não o segui-lo.
“Achei o contaniner” – falou Selene.
Uma caixa de chumbo de um metro cúbico com um sistema autônomo de refrigeração. No seu casco, havia os dizeres: “Somos pedra, somos planta, somos animais”.
Nenhuma pesquisa no banco de dados da TUPÃ-123 acusa esse conteiner. Usando de um carro elétrico de transporte, levaram a carga para a enfermaria.
***
Brettaz pegou alguns analgésicos na farmácia. Seu olhos se voltaram para o outro lado da enfermaria. Em uma sala, três capsulas preservavam um mulher, um homem e uma criança.
Depois que eu acessei o prontuário médico deles, relatei que eles foram colocados em hibernação recentemente. Acordá-los, segundo o protócolo é colocar em risco a saúde deles.
Lucas encontrou sobre a mesa uma câmera criogênica com um elemento fetal de trinta milímetros. O que aterrorizou a todos é que ele aparentava ter a pele com textura de pedra. Sobre a mesa, havia um gravador com o áudio do médico da TUPÃ-123, Dr. Dionísio, informando que alguém esperava aquele espécime na Lua e pagaria um milhão de créditos. Além disso alertava para não confiar na ASMO.
Athena e Lucas decidiram ir até a ponte de comando, enquanto Brettaz, Selene e Estela levavam a carga, a amostra fetal e os sobreviventes para a espaçonave.
Nesse momento todo o sistema de energia da TUPA-123 caiu novamente. A escuridão tomou conta de todos. Athena, Lucas e Brettaz voltarm para a engenharia. Encontraram o painel de disjuntores, completamente, destruído. E o mais intrigante, os restos mortais do engenheiro assassinado havia desaparecido. Rastros de pedra levavam para uma sala contigua.
***
Sobre a superfície da TUPÃ-123, há 10 metros abaixo da plataforma metálica, ele observava. O jaleco branco denunciava que era o médico. As lanternas de Estela e Selene o iluminavam. O homem, com a pele com a mesma textura de pedra começou a subir a escada. Na microgravidade não teve dificuldades para chegar no parapeito. Ele não usava capacete. Como estava resistindo ao vácuo e à falta de oxigênio, meus dados não me permitem informar.
Estela ficou paralisada de terror. O homem, Dr. Dionísio, aproximou e pegou a maleta com a amostra fetal.
Athena, Lucas e Brettaz tinham acabado de sair da engenharia. Brettaz apontou a carabina para o transformado. Antes que pudesse dar um disparo, o médico saltou da plataforma para a superficie da TUPÃ-123 e desapareceu em meio as sombras.
Fim do relatório
Continue acompanhando a missão
A exploração da TUPÃ-123 apenas começou. Cada compartimento aberto, a tripulação encontra novos indícios de que algo terrível aconteceu na estação mineradora. As respostas ainda são poucas, mas cada descoberta aproxima os tripulantes da verdade — e de perigos que talvez jamais devessem ter sido encontrados.
Quais setores da estação ainda permanecem inacessíveis? Existem mais sobreviventes? O que realmente levou a TUPÃ-123 ao silêncio absoluto?
Essas respostas serão reveladas, pouco a pouco, nos próximos Diários de Campanha de ASMO – Protocolo de Recuperação.
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