por Filipe Lutalo
Pergunte ao jogares da suam mesa o que eles mais lembram daquela campanha de RPG de meses atrás. Mestres e narradores de RPG passam horas criando masmorras, monstros com poderes fabulosos, handouts e um “grande chefão” para o fim da campanha. Mas nada disso importa muito para os jogadores.
A resposta dos jogadores na minha mesa raramente é “Aquele dragão que dizimou todo o grupo” ou “Aquele demônio chamado Kalistor que carregava uma alabarda como se fosse uma espada? Eles se lembram:
- Do minotauro mulçumano,
- Do netrunner que desafiava as corporações.
- Do cavaleiro filho de plebeus.
- Do policial que se chamava “Octavio Mauro”
Monstros criam obstáculos. Personagens criam histórias.
Um monstro normalmente possui uma função de bloquear caminho; gerar combate; provocar medo. A importância deles na aventura é ser a motivação que arrebata os personagens dos jogadores (PdJs) para a aventura.
Em Quarteto Fantástico: Primeiros Passos, Galactus e a Surfista Prateada impressionam pela sua força e magnitude. No Senhor dos Anéis, os orcs, Saruman e Sauron prometem colocar todo o mundo livre sobre o manto da escuridão. Todos eles são mais um vilão para ser derrotado.
Não são dos vilões que lembramos depois que deixamos as cadeiras do cinema. São dos personagens principais. Eles podem trair um parceiro: Boromir, ajudar um bebê (Tocha Humana) e descobrir que ele tem um grande poder, mentir para salvar o restante do grupo (Frodo), ter sua vida transformada, crescer e morrer. São os PdJs que eternizam a narrativa.
O exemplo de ASMO – Protocolo de Recuperação
Na campanha de horror sci-fi que estamos jogando, cada personagem tem potencial para tornar a campanha memorável. Todos escondem segredos, tem objetivos próprios, traumas e características que os tornam únicos.
Selene, a geóloga espacial perdeu uma amiga e tornou-se obcecada pelas “anomalias geológicas” no espaço. Estela, a navegadora, se expôs no passado a um contaminante biológico. Já Brettaz, Lucas, Athena e Dr. Junior também possuem histórias de personagens marcantes.
Como criar personagens memoráveis
Todo o PdJ precisa de objetivos claros. O que o personagem deseja? Eles podem recuperar o trono a muito prometido (Aragorn em O Retorno do Rei) ou proteger o ovo de dragão e entregar aos elfos para acabar com uma guerra (Calo, Ezran e Raila em O Principe Dragão)
Os PdJs precisam de defeitos que os coloque em apuros. Personagens perfeitos são esquecidos. Dê laços sentimetais: família, amigos, inimigos, quem sabe a empresa ASMO.
Os PdJs precisam ter escolhas difíceis. Em o Príncipe Dragão, Calo, Ezran e Raila tomam decisões, precisam escolher caminhos muitas vezes insertos e difíceis. Na campanha ASMO, os personagens decidem saltar da nave Peabiru para um asteroide de pedra, gelo e amônia congelada.
Para que os PdJs sejam memoráveis eles precisam mudar o mundo.
O monstro ainda importa?
Claro que o monstro é importante. Ele existe para ser a mola motriz da narrativa. Não o contrário. Um xenomorfo é memorável porque coloca pessoas interessantes sob pressão. Sem personagens fortes, ele seria apenas mais uma criatura perigosa.
Assista ao vídeo completo
Neste vídeo aprofundo essa ideia e mostro como comecei a aplicar esse conceito na campanha ASMO – Protocolo de Recuperação, além de apresentar exemplos práticos para mestres que desejam criar aventuras mais emocionantes.
Conclusão
A verdadeira pergunta que todo mestre deveria fazer antes de preparar uma sessão não é: "Qual será o monstro?"
Mas: "Quem são os personagens dos jogadores. Como eles irão interagir e como eles contribuem para a narrativa"
São elas que criam alianças, conflitos, dilemas e lembranças que permanecem muito tempo depois do último dado ser rolado. Monstros podem iniciar um combate. Personagens iniciam histórias.
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Peraí, você já tá entregando o monstro na imagem?
ResponderExcluirNão. Essa é uma imagem ilustrativa adaptada do Dead Space. O monstro da Aventura ASMO - PROTOCOLO DE RECUPERAÇÃO é outro. Apenas brinquei com as referências.
ExcluirUfa, menos mal.
ExcluirA cada flash da campanha trago um pouquinho das referências que estou usando.
ExcluirExcelente reflexão! É um pouco a premissa prática em The Walking Dead (quadrinhos).
ResponderExcluirVerdade, não tinha refletido sobre a contribuição dessa franquia. Anotei a referência. Valeu!
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