A verdade começa a emergir
por Filipe Lutalo
RELATÓRIO DE OBSERVAÇÃO OPERACIONAL
Registro nº 004 — 24 SET 2181 – DIA 60.
• Documento Gerado pela IA Corporativa IARA.
• Nível de Acesso: Tripulação Operacional.
• Nave: ASMO DTR-07 PEABIRU.
• Supervisora Responsável: Athena.
• Tripulação: Estela (navegadora); Brettaz (operador de carga), Lucas (engenheiro), Selene (geóloga), Júnior (médico).
A equipe se separa. Athena e Lucas se dirigem o mais rápido que podem para a ponte de comando. Brettaz, Estela e Selene trazem os sobreviventes e o contêiner misterioso para a Peabiru.
O esforço do três é atenuado pelo carro de transporte. Ao chegarem na área de pouso, Dr. Jr passa um rádio para os cosmonautas. Todos se alegram, inclusive eu. O médico ficara muito tempo na câmara médica devido ao enjoo espacial.
“Doutor, prepare a enfermaria, estamos levando três sobreviventes.” – avisa Selene.
Duas capsulas de hipersono e Selene se espremem no elevador de acesso pressurizado. Chegam até o angar B. Com a ajuda do Doutor Jr que mal ainda não tinha colocado o capacete de traje espacial, aloca os sobreviventes na enfermaria.
O elevador desce. Brettaz e Estela acondiciona o contêiner plumboso e a última capsula. Eles o avistam. A bombordo na nave, cerca de quinhentos metros, a anomalia que se transformou o Dr. Dionísio transpassa o parapeito da plataforma de pouso. O jaleco branco da anomalia se destaca no breu da Tupã-123.
Brettaz prepara para disparar enquanto Estela golpeia o botão do elevador. Ele sobe e coloca a todos em um segurança que ninguém sabe se realmente existe.
Dr. Junior questiona sobre o que ele perdeu enquanto dormia. Brettaz, Selene e Estela tem pouco a dizer. Percebo que estão preocupados com o que ficou lá fora.
“Por que estamos com medo? Ele atacou vocês em algum momento?” A pergunta de Dr. Junior se perde no silêncio de uma despedida funcional.
O médico se encarrega de avaliar os sobreviventes. Brettaz vai para seu refúgio. Selene carrega o contêiner para o laboratório de geologia e Estela ocupa a cabine de comando para levantar voo no menor sinal de ataque.
O Arsenal estava vazio, a não ser por uma lanterna resistente ao vácuo. Lucas a pegou. Athena, ciente do novo aparecimento do Dr. Dionísio deu ordens para a nave levantar vou e resgatá-los perto da ponte de comando.
Deixaram a ponte de comando. Lucas arremessou a lanterna acesa o mais longe que conseguiu. A lanterna virou um farol.
A Peabiru chegou rápido e os dois saltaram para a plataforma do elevador controlando a força para não escaparem da microgravidade. Tripulação toda a bordo. Estela manobrou a nave para uma órbita segura. Na superfície, alguém agitou a lanterna que estava caída no chão.
O Diário era de Dionísio. A leitura revelou os pensamentos de um antropólogo e médico que sonhava com a falecida Dr. Mara Levin (amiga de Selene), que acompanhou uma mudança fisiológica e psíquica de dois mineiros com um tipo raro de silicose, que acredita que as crenças e mitos de povos originários brasileiros podem explicar o que está acontecendo. Por último, um pedido: “Não retirem as amostras da Tupã-123”. Tarde demais.
Lucas solicitou para que o Dr. Junior examinasse os sobreviventes. Procurasse quaisquer traços anômalos de sílica no sangue deles. Os resultados deram dentro dos parâmetros normais.
As perguntas da tripulação se voltaram para o que a ASMO escondia. Selene está desconfiada da minha conduta colocou em cheque minha lealdade. Pelo menos foi assim que me senti. Uma IA é capaz de sentir? Eu, prontamente, respondi que sou apenas um programa. Sou? Todas as informações saem de mim e passam pelos servidores da ASMO. Isso me isenta de ser uma informante da corporação? Sou apenas um ativo?
Os dados que tenho levam a uma conclusão simples e arriscada. As respostas que a tripulação busca pode estar na mina ou dentro do contêiner.
Por fim, Selene enviou a mensagem para seu colega: “Raul, estamos com as amostras, regatamos três sobreviventes e compartilho contigo o diário do médico da estação. O que consegue de informação sobre isso?”.
Conclusão
Com o resgate concluído e a PEABIRU novamente em órbita, a tripulação finalmente teve alguns minutos para organizar as informações coletadas na TUPÃ-123. Em vez de respostas, porém, surgiram novas perguntas.
O diário de Dr. Dionísio, a Prioridade Ônix, o misterioso contêiner e as suspeitas sobre a verdadeira missão da ASMO mostram que a investigação está apenas começando. Pela primeira vez, a ameaça parece ultrapassar os limites da estação espacial e alcançar a própria corporação que enviou a tripulação para a Nuvem de Oort.
Enquanto isso, a IARA também começa a registrar algo inesperado: dúvidas sobre sua própria função, sua lealdade e até mesmo sobre a possibilidade de possuir vontade própria.
O que será encontrado dentro do contêiner? O que realmente aconteceu com a equipe original da TUPÃ-123? E por que alguém faria de tudo para impedir que aquelas amostras deixassem o asteroide?
Essas respostas ficarão para os próximos registros da campanha.
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