Há mais de uma década, o RPG Next produz podcasts, campanhas, transmissões e conteúdos que ajudaram a consolidar uma das maiores comunidades de RPG do Brasil. À frente do projeto está Rafael 47, designer, professor e criador de conteúdo, que transformou uma mesa entre amigos em uma referência para milhares de jogadores. Nesta entrevista, ele fala sobre sua trajetória, os desafios de manter um projeto independente, tecnologia, mestragem, o impacto do RPG na comunidade e os próximos passos do RPG Next.
O meu primeiro contato com o RPG é difícil de estabelecer com uma certeza exata, porque foram várias lembranças que acabaram se somando.Uma das primeiras, foi por volta dos 10 aos 12 anos. Fui com meu pai e meu irmão numa loja da Mesbla no shopping para escolher um jogo de aniversário pro meu Master System. Me chamou muito a atenção uma capinha com um cara com espada e armadura, uma garota com escudo e espada, um com machado, um mago e um bichinho que parecia um Pikachu. Era o Phantasy Star. Na capa estava escrito "RPG" ao lado de "4 Mega". Meu pai não sabia o que significava a sigla; quando fui jogar, vi que era um jogo de aventura e exploração.Por volta de 1994, aos meus 13 anos teve uma feira do livro na escola. Minha mãe me deu uma quantia que dava para comprar uns três livros normais, mas eu bati o olho num livro gigante, futurista, com uma arte cyberpunk de um beco com pessoas conectando cabos na cabeça. Estava escrito Shadowrun. Gastei todo o meu dinheiro nele. Fui tentar ler, não entendi nada na época, fiquei perdido e acabei abandonando porque não tinha maturidade ainda.Também joguei uma partida improvisada de tabuleiro que depois entendi que era o D&D da Grow; comprei livrinhos-jogos da série Aventuras Fantásticas; e ganhei o Hero Quest da Estrela, que vinha com "O ABC do RPG" na caixa e passava comercial na TV — joguei com meu irmão meio que tentando decifrar as regras sozinhos. Mais tarde, comecei a comprar a revista Dragão Brasil nas bancas e adquiri o Dungeoneer do Steve Jackson, que realmente ensinava a jogar RPG de mesa de fato. Fui descobrindo tudo sozinho entre bancas de jornal, videogames e livros.Por volta de 2015... eu já escutava podcasts gringos de pessoas jogando RPG desde 2010/2011 e o Jovem Nerd tinha acabado de lançar os primeiros episódios de RPG em áudio. Eu vi aquilo e pensei: "Caraca, que legal, dá para fazer isso!". Falei com o Sky (um amigo): "Por que a gente não grava as nossas partidas e lança como podcast?".O nome RPG Next surgiu justamente dessa fase, porque o D&D 5ª Edição ainda estava em desenvolvimento e era chamado oficialmente de D&D Next. Um dia, combinando por e-mail, a gente escreveu: "Quando que a gente vai lá jogar o RPG next?". O nome pegou e acabou virando o projeto.
O projeto nasceu diretamente daquela conversa que tive com o Sky. Eu estava sentindo muita falta de jogar RPG, mas tinha essa inquietação de não querer apenas jogar uma partida solta e deixar aquela história se perder no tempo... A ideia foi juntar as duas pontas: reunir os amigos para jogar e gravar as sessões.A proposta inicial era registrar as nossas partidas de RPG de mesa e lançá-las em formato de podcast para que outras pessoas pudessem acompanhar a história, gerando conteúdo a partir da nossa própria vontade de jogar. Foi dessa dinâmica de marcar as primeiras sessões de teste — aproveitando a transição das regras que na época eram chamadas de D&D Next — que o grupo se estruturou e o projeto foi para o ar com o lançamento das nossas primeiras campanhas.
Na minha visão de consumidor, quem fez o maior trabalho de divulgação e foi a verdadeira principal porta de entrada para novos jogadores no Brasil foi a revista Dragão Brasil. Ela trazia muito conteúdo de diversos sistemas, ganchos de aventura, dicas de mestre e novidades numa época em que não tínhamos esse acesso fácil à informação.O podcast veio como uma vertente posterior importantíssima. Com o surgimento do formato e a facilidade de produção em relação ao vídeo, ele se tornou um excelente canal de difusão. Depois vieram os vídeos no YouTube, que são bem mais trabalhosos de produzir, mas chamam muito mais a atenção do grande público — vide o trabalho gigante do Cellbit com o Ordem Paranormal e o próprio Jovem Nerd com as publicações deles. Mas vale pontuar: não foi o RPG por si só que atraiu essa massa inicial, e sim grandes criadores de conteúdo que já tinham milhões de seguidores em outras áreas e resolveram apresentar o RPG para o público deles.O grande papel e a maior vantagem do podcast em relação a outros formatos é a conveniência para conteúdos de longa duração. Acompanhar uma sessão de RPG exige tempo, e o áudio facilita demais essa experiência. É muito mais simples você ouvir um áudio longo enquanto faz outras coisas no dia a dia do que passar horas parado na frente do celular ou da tela do computador olhando para um vídeo. Inclusive, acho que muita gente que consome mesas no YouTube deixa o vídeo rodando em outra janela e fica apenas ouvindo....Vejo o podcast como parte fundamental de uma crescente: primeiro as revistas (ao lado de videogames e eventos presenciais, onde as pessoas podiam experimentar de fato), e depois os podcasts, que prepararam o terreno na internet e ajudaram a espalhar a dinâmica real de uma mesa antes da explosão dos formatos em vídeo.
RPGames Brasil: Hoje o RPG Next reúne podcasts, vídeos, transmissões e uma comunidade bastante ativa. Como você equilibra a produção de tantos formatos diferentes sem perder a identidade do projeto?
Eu não sei bem se posso dizer que consigo equilibrar tudo perfeitamente, e nem posso cravar que o projeto não perde a sua identidade.O RPG Next nasceu com a premissa de ser um grande guarda-chuva para vários programas diferentes. Dessa forma, cada programa tem espaço para construir a sua própria identidade:A Forja: nosso podcast mais coringa, focado em bate-papos sobre RPG e cultura nerd;Contos Narrados: focado em histórias contadas e totalmente sonorizadas;Tarrasque na Bota: o nosso carro-chefe das aventuras e campanhas jogadas;Regras do D&D e Regras do GURPS: focados na leitura e explicação detalhada dos manuais;Além de novos conteúdos e parcerias que vão surgindo, como o pessoal do Neuronautas.Para equilibrar essa produção multiformato sem sobrecarregar a equipe, a gente adota um fluxo prático: nós fazemos a transmissão ao vivo da gravação. Com isso, já geramos o conteúdo em vídeo e, dessa mesma transmissão, extraímos o áudio para editar e alimentar os feeds de podcast.A identidade se apoia no fato de que os programas não pertencem exclusivamente a uma única pessoa. Eu sempre incentivei a rotatividade: se alguém quer mestrar ou jogar no Tarrasque na Bota, faça; se quer conduzir A Forja, faça. A Forja, por exemplo, nasceu com o Pedro Quitete lá atrás; o Contos Narrados começou com o Fernando, depois eu assumi e editei, enquanto outras pessoas gravavam as vozes. O único programa que mantenho estritamente comigo é o Regras do D&D, porque faço a leitura e os comentários sozinho — se colocasse mais gente para debater, os episódios passariam facilmente de três horas.Por fim, eu não vejo problema caso a identidade do projeto passe por mudanças. O RPG Next tem mais de uma década de estrada; as pessoas mudam com o passar dos anos, e é natural que a identidade do projeto se adapte e acompanhe essas transformações. Se perguntarmos para a comunidade, certamente encontraremos de tudo: pessoas que preferiam o estilo do começo, pessoas que acham que mudou para melhor e outras que se conectaram justamente com a fase atual. A gente simplesmente vai se adaptando e permitindo que os formatos e as pessoas evoluam.
RPGames Brasil: Além de criador de conteúdo, você também atua como Mestre profissional. Como surgiu essa atividade e quais diferenças existem entre mestrar para amigos e conduzir mesas para clientes?
Atualmente, não atuo como mestre profissional, mas exerci a atividade durante a pandemia.Surgiu por uma necessidade financeira direta. Como professor horista na universidade, a instituição reduziu a minha carga horária e a minha renda principal caiu drasticamente. Precisei encontrar uma forma de me sustentar. Como eu já estava há cerca de cinco anos e meio produzindo conteúdo no RPG Next, as pessoas já conheciam o meu trabalho e a minha reputação. Eu montei uma aventura fechada, ofereci o serviço e vários ouvintes e membros da comunidade contrataram as mesas. No total, atuei por cerca de dois anos e meio a três anos nessa função e conduzi em torno de dez mesas com a mesma aventura....A grande distinção é que, quando estou mestrando para amigos no RPG Next, quase sempre estamos gravando conteúdo para publicação. Isso me torna um mestre muito mais chato e exigente nos bastidores: eu preciso cobrar silêncio no ambiente, microfones bem configurados, dicção e cuidados técnicos com a gravação. Com os clientes, a cobrança técnica era muito menor; eu só precisava garantir que o áudio de um não atrapalhasse os colegas de mesa.O maior desafio com clientes é a gestão de grupo. Geralmente, as pessoas que compram as vagas não se conhecem. Se a convivência e os perfis de jogo não baterem, você acaba lidando com insatisfações. Nas poucas mesas que não chegaram ao fim, o motivo foi exatamente a falta de liga entre os jogadores: entrava um, saía outro, o grupo esfriava e a mesa acabava se desfazendo. Manter essa harmonia entre desconhecidos é o ponto mais delicado quando se mestra profissionalmente.
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| Durante a pandemia, Rafael atuou como mestre profissional, conduzindo diversas campanhas para grupos formados por jogadores de diferentes lugares do Brasil. |
RPGames Brasil: Você investe bastante em ferramentas como Foundry VTT, mapas animados e trilhas sonoras dentre outros recursos para criar experiências mais imersivas. Até que ponto a tecnologia pode enriquecer uma sessão de RPG sem substituir a imaginação dos jogadores?
Esses recursos realmente elevam o nível de imersão da sessão. O Foundry VTT nós compramos há bastante tempo com o apoio financeiro dos padrinhos e madrinhas do projeto, e também mantemos assinaturas, como a do Tabletop Audio no Patreon, que entrega trilhas e ambiências fantásticas, e assinaturas de mapas animados.
Sobre a tecnologia substituir ou não a imaginação, eu não vejo isso como uma substituição, mas sim como uma complementação.
Se eu tivesse que escolher estritamente entre o visual e o sonoro para uma mesa de RPG, eu escolheria o áudio sem pensar duas vezes. A parte sonora abraça muito melhor a sensação de imersão do que a imagem. É difícil para o jogador ficar "imaginando" uma música de fundo ou a atmosfera sonora de uma caverna enquanto joga. Eu jogaria tranquilamente um sistema tático como D&D sem nenhum mapa, usando apenas o teatro da mente e o áudio.
Já a parte visual tem prós e contras muito claros:
Alinhamento e clareza: quando você descreve verbalmente um cenário ou um enigma complexo, cada jogador pode criar uma imagem mental completamente diferente na cabeça dele, o que às vezes gera ruído de comunicação. Jogar uma imagem de referência ou um quebra-cabeça visual resolve isso na hora.
Referência espacial e memória: mapas e grids ajudam os jogadores a se localizarem e lembrarem onde a aventura parou. Se o grupo explora uma cidade com vários pontos de interesse, ter um mapa visual evita que as pessoas se percam na geografia do lugar.Por outro lado, quando você mostra a imagem exata de um monstro, você de fato "mata" a imaginação daquela aparência física específica, porque todo mundo passa a ver a mesma ilustração. Mas isso não encerra a imaginação: cabe ao mestre descrever tudo aquilo que a imagem não mostra — o cheiro pútrido da criatura, a textura da pele, a proporção colossal que não cabe na tela e o som ameaçador que ela emite. A imagem serve como base, e a imaginação preenche o resto.
RPGames Brasil: Ao longo desses anos entrevistando, narrando campanhas e convivendo com a comunidade, quais foram as maiores mudanças que você percebeu no perfil do jogador brasileiro?
Essa é uma pergunta difícil de cravar com precisão do ponto de vista exclusivo do jogo, porque eu não costumo mestrar com frequência em eventos abertos. Eu jogo basicamente com o meu grupo fechado aqui no RPG Next.No entanto, eu estou há 14 anos lecionando na universidade... A partir dessa convivência, o que eu percebo não é uma mudança restrita ao jogador de RPG ou a uma faixa etária específica, mas sim um reflexo do momento tecnológico e cultural que afeta todo mundo: as pessoas estão lendo muito pouco ou quase nada....No RPG, isso tem um impacto direto. O livro em formato texto ainda é a maneira mais acessível e barata de aprofundar um conhecimento e transmitir regras complexas. Só que hoje as pessoas têm uma enorme dificuldade de sentar e ler um manual do começo ao fim. Vejo isso nitidamente na faculdade: quando peço para os alunos buscarem os livros de fundamentação teórica para o trabalho deles, muitos não abrem o material, não folheiam as páginas e preferem delegar para uma inteligência artificial trazer um resumo mastigado.O problema dessa abordagem é que, quando você não passa os olhos pelas páginas, você perde os detalhes, os diagramas, os exemplos e a descoberta espontânea de ideias que chamam a atenção pelo caminho.Se eu tivesse que apostar na principal transformação do perfil do jogador brasileiro hoje, seria essa: ele sofre das mesmas consequências da sociedade atual conectada. Há uma tendência de buscar o caminho mais rápido e resumido — consumindo regras por vídeos curtos ou explicações de terceiros —, encontrando muito mais resistência em sentar, ler o livro com calma e se aprofundar sozinho nas regras e no cenário do jogo.
RPGames Brasil: O RPG Next mantém uma comunidade apoiada por assinantes e colaboradores. Qual é o maior desafio para manter um projeto independente ativo por tantos anos?
RPGames Brasil: O canal também produz episódios voltados para técnicas de mestragem, Sessão Zero, regras e boas práticas. Na sua opinião, qual é o erro mais comum cometido por mestres iniciantes?
O erro mais comum do mestre iniciante é tomar a decisão de jogar RPG e, antes de colocar o jogo na mesa, querer criar o próprio mundo do zero, inventar um cenário gigantesco e construir uma campanha inteira em cima dele.Ou ela vai demorar meses para conseguir marcar a primeira sessão, ou ela simplesmente nunca vai jogar RPG na vida, porque se perde no gigantismo do projeto.Se eu pudesse dar uma dica prática para quem está começando a mestrar agora, seria: não comece pelo caminho mais longo, difícil e complexo do RPG, que é a construção de mundo (worldbuilding) e grandes campanhas autorais.O caminho mais saudável para o iniciante é muito mais simples:Leia os livros do sistema: pegue o Livro do Jogador e o Livro do Mestre ou o livro básico do sistema que você escolheu, e leia com calma. Não precisa decorar nada; em uma semana ou no máximo um mês você consegue ler e entender como as mecânicas funcionam.Pegue uma aventura pronta publicada: pode ser oficial ou de terceiros, não importa. Escolha uma aventura curta, pensada para duas ou três sessões no máximo... dê uma lida na aventura, faça pequenas adaptações para o seu gosto e já marque com seus amigos para jogar.Você vai sentar na mesa, vai errar um monte de coisa nas primeiras sessões — o que é absolutamente normal —, vai terminar a aventura rápida, pegar outra pronta e repetir o processo. É jogando aventuras curtas que você desenvolve o ritmo de narrativa, aprende a lidar com o improviso dos jogadores e ganha bagagem prática sem se afogar na criação de um mundo antes mesmo de rolar o primeiro dado.
RPGames Brasil: Quais são os próximos objetivos do RPG Next? Há novos projetos, campanhas ou formatos que o público pode esperar nos próximos anos?
RPGames Brasil: Obrigado pela entrevista. Suas palavras e trabalho fortalecem a cena nacional de RPG. Que conselho você daria para quem quer criar RPG no Brasil hoje?
Eu que agradeço pelo convite e pela oportunidade do bate-papo!Essa é uma pergunta muito ampla, porque "criar RPG" pode significar desde escrever um sistema autoral do zero até produzir um podcast, fazer vídeos, modelar e imprimir miniaturas 3D, confeccionar cartas para combate ou criar adereços (props) para a mesa.Independentemente do que você queira criar envolvendo RPG, o conselho central que eu dou vem da minha formação em Design: tenha menos foco na iniciativa e muito mais foco na acabativa.O que eu mais vejo no meio criativo são pessoas cheias de iniciativa, mas com quase nenhuma acabativa. Na fase de ideação, tudo é maravilhoso e empolgante: o cérebro projeta o produto pronto em segundos. Você imagina o sistema perfeito, a arte incrível ou o canal de sucesso funcionando a pleno vapor. Só que tirar uma ideia da cabeça e transformá-la em um produto tangível e funcional exige método, rotina e processo — e é exatamente isso que o Design ensina.Para quem quer tirar um projeto de RPG do papel hoje, meus conselhos práticos são:Gestão de tempo e disciplina de rotina: Não espere a inspiração mágica chegar. Defina um horário fixo na sua semana — por exemplo, toda segunda-feira à noite, dedicando duas horas focado naquilo. Um projeto grande só se concretiza com pequenos avanços contínuos.Fracione o problema macro: Se o seu objetivo é "criar um novo sistema" ou "lançar um podcast", isso é um bloco gigantesco e paralisante. Quebre esse objetivo em etapas menores e comece pelo que é essencial antes de se preocupar com firulas ou detalhes secundários.Use ferramentas a seu favor (incluindo IA para gestão): Se você não sabe por onde começar a estruturar um cronograma ou planejamento, use ferramentas como inteligências artificiais para ajudar na gestão do projeto. Você não precisa usar a IA para criar o conteúdo no seu lugar, mas pode usá-la como um copiloto de organização: diga para ela o que você quer fazer e peça para ela quebrar a sua ideia em etapas sequenciais de trabalho.Teste e colha feedbacks reais: Ninguém cria nada exclusivamente para si; mesmo que seja uma aventura pensada para o seu grupo de amigos, você já está compartilhando aquilo com outras pessoas. Coloque o seu protótipo na mesa o quanto antes, observe como os jogadores interagem com o material, escute as críticas com maturidade e faça os ajustes necessários.Em resumo: estruture o seu processo, quebre a tarefa em partes menores, mantenha a consistência na rotina e garanta que a sua empolgação inicial seja acompanhada pela disciplina de concluir o que você começou. É a acabativa que constrói a cena de verdade.
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