O que é TCG

É um RPG em cartas

por Michael do P21


Histórias de “faz de conta” se mostram eficientes no desenvolvimento socioemocional de crianças. Por que não trazer também para a vida adulta, já que o desenvolvimento não tem limites? Que tal substituir o videogame? Seria fantástico, não é verdade?! Apresento-lhes o único com potencial real de tomar a coroa, os jogos de RPG.


Os role-playing games (RPGs) já são conhecidos, muitos já ouviram falar. Mas para os iniciantes, esse universo parece confuso e imenso para ser explorado. Não vou discordar, ao final vou apresentar uma plataforma facilitada para essa inclusão ser mais natural.

O RPG é um formato de jogo focado na interpretação de papéis, com Personagens executando ações guiadas por um Mestre que segue um Sistema de regras. Acabei de citar os três principais componentes de um jogo de RPG, agora vou descrever a função de cada um deles.

O Sistema de jogo no RPG

É o conjunto de regras que orientam o que os personagens podem ou não fazer. O objetivo é viver aventuras em um mundo imaginário, quase sempre em grupo, focado na cooperação, não sair lutando contra adversários.

O Sistema não é um roteiro engessado, pelo contrário, os personagens agem com liberdade de ação, limitado somente por um conjunto de regras ptransparenteterminado. O Mestre é quem assegura que essas regras sejam cumpridas, por isso ele é o único jogador que pode quebrá-las em prol da diversão. Conhecer profundamente sobre o Sistema facilita esse processo e evita abuso de autoridade.

Existem diversos sistemas de RPG com universo próprio, quase sempre encontrados em livros. Aventuras medievais, tecnologia futurista, viagens no espaço, espadas e feitiçaria, eles variam de acordo com o perfil do jogador, nível de dificuldade e acessórios a serem utilizados. Dungeons & Dragons, GURPS e Tormenta são alguns dos Sistemas de RPG mais populares no mundo.

O Personagem no RPG

A interpretação dos papéis cabem a eles, os jogadores que criam seus personagens fictícios seguindo as regras do sistema escolhido pelo grupo. A partir de agora eles controlaram esses mesmos personagens pelas aventuras.

Cada sessão de RPG é chamada de aventura. Uma sequência de aventuras mantendo os mesmos personagens torna-se uma campanha. Ao término de cada aventura, o personagem recebe pontos de experiência (XPs), que representam o seu aprendizado. Estes pontos tornam o personagem mais forte, aumentando suas vantagens e habilidades.

O Mestre no RPG

O Mestre cria a história e julga as ações de todos os personagens durante o jogo. Ele não possui um personagem próprio, mas controla todos os personagens não-jogadores da aventura.

O mestre é responsável por dirigir e narrar a aventura, por isso deve conhecer as regras como ninguém. Ser o mais experiente do grupo vai ajudar a resolver possíveis conflitos de sistema, embora ele possa quebrar as regras preestabelecidas para dar fluidez ao andamento da sessão.

A maior dificuldade nos jogos de RPG



Cada jogador tem grande liberdade para criar seu personagem e interpretá-lo seguindo as limitações impostas pelo Sistema escolhido. Mas o jogador não pode, em hipótese alguma, usar conhecimentos que ele possui para se beneficiar, ele deve apenas interpretar fielmente seu personagem.

É comum que o jogador conheça diversas coisas que o seu personagem não conhece. Pode conhecer as regras do Sistema, por exemplo, e assim aproveitar das vulnerabilidades do inimigo, isso é considerado “anti-jogo”.

Além dos conhecimentos distintos, a personalidade do personagem também deve ser interpretada, não pode ser herdada do jogador. Ou seja, você pode não ter medo de barata, mas se seu personagem tiver, você deve deixar de cumprir uma missão caso tenha que matar uma com os pés descalços.

Essa é a maior dificuldade encontrada pelos jogadores de RPG, separar seus conhecimentos dos conhecimentos do seu personagem e abrir mão da sua personalidade para interpretar a personalidade do personagem.

O conjunto de regras estabelecido pelo Sistema não é o suficiente para conduzir a imaginação de determinados jogadores, assim, a dinâmica liberdade de criação do RPG compromete a fluidez do jogo e consequentemente a diversão.

Richard Garfield criou a solução para o RPG truncado



A solução é criar limites além das regras dos sistemas de RPG e assim eliminar lacunas desnecessárias.

O criador de Magic: The Gathering, o TCG (o que é TCG) de maior sucesso da história, Richard Garfield é fã de RPG e declara adoração especial por Dungeons & Dragons.

Mesmo declarando o gosto especial pelo RPG, ele deixa claro sua dificuldade em separar as personalidades e os conhecimentos entre o personagem e ele. A liberdade excessiva de criação o atrapalhava no desenvolvimento das campanhas em grupo. Incluir limites projetados na imaginação alavanca a diversão.

Foi projetando esses “limites à imaginação” (ele prefere chamar de “diversão guiada”) que Richard Garfield desenhou seus principais jogos. RoboRally, desenhado por ele em 1985, colocava um tabuleiro como guia para a imaginação. Já Magic, usa cartas para substituir as decisões e narrativas dos Mestres em RPG.

O TCG resolve um problema do RPG

O objetivo do RPG é que cada jogador, representado por um personagem, ajude a construir, com suas próprias decisões, uma narrativa repleta de desafios e interpretação. Quando envolvemos “interpretação” o jogo podem sair dos trilhos, se levado muito a sério por jogadores como Richard Garfield.

A solução para esses jogadores, com muita ou pouca imaginação, é o TCG, que podemos chamar - usando nossa liberdade de interpretação - de RPG em cartas.

Aqui temos os mesmos componentes citados do RPG. O Manual de regras limita o que pode ou não ser feito, assim como o Sistema. Os Cards do TCG substituem o Mestre na condução da história, podendo, inclusive, quebrar as regras do Manual. Os Personagens continuam sendo os Jogadores, assumindo os papéis principais na história.

O TCG resolve o problema da liberdade excessiva de criação e a ineficiência de muitos Mestres, que impedem a fluidez de muitos grupos de RPG.

RPG x TCG


São jogos com características distintas, não estou propondo a substituição de um ou outro, nem tampouco, dizer que um é melhor que o outro, estou propondo uma descoberta natural de perfil. Cada jogador vai se adequar a um dos dois estilos, de acordo com seus propósitos. Veja agora outras características similares entre RPG e TCG.

Cooperação
É uma característica marcante do RPG, mas a maioria dos TCGs focam no duelo direto entre dois jogadores. Procure por TCGs que possam ser jogados em equipe, voltando a reforçar a cooperação.

Quebra de Regras
Em TCG, os cards podem quebrar as regras do manual, assim como o Mestre o pode fazer em algumas situações do RPG. Portanto, os efeitos detalhados nos cards substituem as decisões de um Mestre, inclusive, todos os TCGs possuem imagens e caixas de texto, que ilustram e narram partes da história contextualizada do universo daquele TCG.

Uso de dados
Eles representam o fator aleatório existente em muitos RPGs e TCGs. A chance do personagem conseguir ou não realizar uma ação pretendida é depositada sobre a rolagem dos dados. É ele que define sucesso ou fracasso de uma determinada ação, quase sempre atrelado a alguma informação da ficha ou card, calculando assim a probabilidade do resultado ser ou não favorável.

Força e habilidades
Seja na ficha do personagem, ou no card do TCG, a força e as habilidades são muito bem definidas e levadas a sério em ambos os jogos.

Ganhar XP e fortalecer um Deck



Quer dizer que posso chamar qualquer card game de RPG? Definitivamente, não! Apenas um TCG pode ser chamado de RPG em cartas.

A chave para essa resposta está justamente na característica mais criticada dos TCG, o apelo comercial e o alto investimento para se manter competitivo.

Magic: the Gathering é considerado o pioneiro dos TCGs modernos. Um sucesso incomparável do gênero, Magic gerou uma indústria centrada na abertura de boosters aleatórios em busca de cards cada vez mais poderosos para fortalecer os decks personalizados.

Expansões lançadas regularmente adicionam cards à coleções temáticas, dando liberdade aos jogadores para se fantasiarem nas histórias.

E o que isso tem haver com o RPG?


Jogar sucessivas sessões de RPG com o mesmo personagem, tem a vantagem do acúmulo de conhecimento e experiência, traduzido aqui como pontos de XP. Esses pontos podem ser usados para dar força ao personagem, seja em atributos ou habilidades.

As expanções e o lançamento de novas coleções regularmente fazem a história e o universo do TCG evoluir, além de fortalecer os Decks dos jogadores, assim como acontece em uma campanha de RPG, acumulando pontos de XP ao jogar sucessivas sessões.

Qual é a melhor porta de entrada para o universo TCG



Os críticos estão certos, manter-se competitivos em TCGs populares como Magic, Yu-Gi-oh e Pokémon, sai muito caro. A solução então é fugir dos populares e buscar por TCGs que ainda não são populares.

Tenho uma ótima sugestão de Trading Card Game para você começar. Comece sua coleção com um Deck Starter e entre imediatamente no jogo com um deck pronto para jogar.

Assim que aprender a jogar, poderá personalizar seu deck usando cards de boosters, começando com o que acompanha o Deck Starter.

Você não sabe quais cards vai encontrar em um booster, a curiosidade e a surpresa fazem parte do processo. Assim você começa uma coleção e troca cards com outros jogadores para conseguir aqueles que você quer e ainda não tem.





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