por Filipe Lutalo
A IA IARA Assume o Controle da Nave
A aventura Protocolo de Recuperação começou na mesa de RPG, mas sua história não termina quando a sessão acaba.
Ao final de cada encontro, a IA corporativa IARA registra os acontecimentos da missão em um relatório operacional destinado aos arquivos da ASMO – Atlântico Sul Mineração Espacial.
A seguir, publicamos integralmente o Relatório Operacional nº 001, correspondente ao primeiro dia da missão.
Boa leitura.
— RPGames Brasil
RELATÓRIO DE OBSERVAÇÃO OPERACIONAL
- Registro nº 001 — 27 de jul. de 2181 — Dia 1
- Documento Gerado pela IA Corporativa IARA.
- Nível de Acesso: Tripulação Operacional.
- Nave: ASMO DTR-07 PEABIRU.
- Supervisora Responsável: Athena.
- Tripulação: Estela (Navegadora); Brettaz (Operador de Carga); Lucas (Engenheiro); Selene (Geóloga); Júnior (Médico).
Os tripulantes foram acordados devido a um alerta amarelo. Múltiplos problemas foram acusados pelos meus sensores e minha capacidade de intervenção era limitada. A supervisora Athena recebeu o meu relatório inicialmente.
Observei que o engenheiro Lucas, de forma ansiosa e (um pouco arrogante) me interpelou sobre o que causou a retirada de todos do hipersono antes do programado. Eu, o informei que era um problema de aquecimento na Engenharia Principal, localizado na popa da nave.
A supervisora Athena reuniu a todos na sala de briefing. Foi muito interessante observar essa reunião. Apesar deles estarem trabalhando a 1 anos juntos como tripulantes da ASMO DTR-07 – PEABIRU, parecem que eles se conhecem pouco. São frios. Agem como se fossem autômatos.
Explico melhor. Não percebi cortesia entre eles, brincadeiras, descontração. Um “bom dia”. Uma frase como “E ai Estela, teve bons sonhos”. “Athena, seus cabelos continuam lindos, mesmo depois de acordar”. Nada, apenas uma necessidade de saber de imediato o que estava acontecendo. Assim, a supervisora informou que tinham os seguintes problemas:
• Alojamentos e distribuição de cabines.
• Sistema de Arrefecimento da Engenharia: Critico.
• Antena Principal de Comunicação – parcialmente funcionando: Critico.
• Trem de Pouso: Moderado – Critico.
• Ponte Rolante da Baía de Carga – Critico.
Eles ponderaram e resolveram atuar nas ocorrências críticas primeiro. O Engenheiro Lucas e a navegadora Estela foram para a engenharia. Diagnosticaram um cano interrompido com precipitação de carbonato de cálcio. Foram 4 horas interruptas de trabalho em uma temperatura de mais de 40°C. O médico, Dr. Júnior monitorou os sinais vitais deles e garantiu que eles mantivessem hidratados. Resultado, o sistema de arrefecimento foi reparado e a temperatura caiu para 35°C, o que reduz o risco para moderado.
Athena empreendeu uma caminhada espacial até a antena de comunicação externa. Selene a monitorou ficando na sala de comunicação. Relatou uma trinca que foi reparada com uma solda. Eu observei, pela câmera do traje espacial, que durante a caminhada espacial houve um aumento significativo dos batimentos cardíacos dela. Ela sofreu um ricochete no casco, mas o sistema de ganchos a manteve ligada na PEABIRU. Isso reforça meu diagnóstico de excesso de confiança. Ela não relatou o acidente para o restante da tripulação. Resultado, comunicação de longo alcance reestabelecida.
Brettaz foi voluntário para consertar a cabine de controle do setor de carga. Observei que ele é apegado ao espaço. Algo como um pássaro que está em seu ninho. Ele guarda alguns objetos pessoais no local que o diverte quando ele se encontra lá. Ele detectou um capacitor queimado e o substituiu. Resultado, ponte rolante operante novamente.
Na sexta hora do dia 1, passei as novas informações recebidas da ASMO. Um sinal de SOS foi enviado da estação espacial TUPÃ-123 na nuvem de OORT. Isso implica um desvio de 54d12h35m13s do objetivo da ASMO DTR-07-PEABIRU. O combustível se tornará crítico para chegar ao sistema solar. Lucas se preocupou novamente. Eu os tranquilizei. Eles poderão reabastecer na TUPÃ-123.
Estela relatou à equipe que essa não é uma rota comercial da ASMO. Proativamente, eu chequei todas as rotas de naves e constatei a mesma coisa. Não tenho acesso a outras informações.
Seguindo o protocolo, Athena afogou a discussão sobre a possibilidade de irem para TUPÃ-123. É uma ordem da corporação. Ordenou que todos se preparassem para o hipersono. Ela realmente mostra-se uma notável supervisora.
O dr. Júnior acompanhou o procedimento para colocar toda a tripulação em hipersono. Senti um pouco de afeto nele por mim, ou, pelo menos, menor resistência em se relacionar comigo. É diferente de Lucas, que sinto arrogância, Estela, Brettaz e Selene que sinto indiferença e Athena que sinto respeito.
De agora em diante, assumo o controle da nave e da vida da tripulação até que cheguemos a ASMO TUPÃ-123. O que nos aguarda lá?
Fim do relatório
Continue acompanhando a missão
O Relatório nº 001 marca apenas o início da jornada da tripulação da ASMO DTR-07 Peabiru.
Nos próximos capítulos, a IA IARA continuará registrando os acontecimentos da missão, revelando sua própria interpretação dos fatos e acompanhando a evolução da tripulação diante dos desafios do espaço profundo.
Acompanhe o RPGames Brasil para ler os próximos relatórios e descobrir o que realmente aconteceu durante o Protocolo de Recuperação.
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"Nada, apenas uma necessidade de saber de imediato o que estava acontecendo."
ResponderExcluirTípico comportamento de jogadores.
Essa primeira sessão foi muito interessante. A galera está ambientando com a regra e com o cenário. Porem, percebo muito isso em todas as mesas que mestrei. Os jogadores possuem dificuldade de interpretar entre eles. Eles chegam até a atuar com um NPC, mas entre eles, a barreira do jogo não se quebra.
ExcluirIsso me lembra de que, em Aliens, o James Cameron colocou os atores que interpretaram os fuzileiros para conviverem juntos por um tempo, para aumentar a impressão no espectador de eram realmente uma tropa.
ExcluirSobre sua sessão, entendo esse comportamento, previsível em um ambiente como esse, com algum estranhamento entre os tripulantes. Eu chegaria a dar um pedaço de papel a cada jogador com um boato envolvendo outro personagem, ou outra informação sensível, para aumentar essa desconfiança.
Acho uma excelente ideia. Um ponto que vou introduzir durante a campanha: paranoia!
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