Anti-Babaquismo – Parte 1

Não seja um estraga prazeres

- por José Noce


Nesta postagem, discutirei sobre um problema sério e que semeia muita discórdia nos grupos de jogos.

Muitos adeptos de “jogos colecionáveis”, como Magic: The Gathering e Warhammer 40k, gastam pequenas fortunas em baralhos ou exércitos de miniaturas e, por isso, se sentem no direito de menosprezar quem não tem dinheiro para fazer o mesmo.

As grandes empresas alimentam a “cultura” do consumismo como forma de adquirir seus lucros. E no mercado de jogos, não poderia ser diferente. Cada vez mais, elas tornam os jogadores reféns de novas edições, com regras que tornam o seu baralho ou o seu exército de miniaturas obsoletos.

Para que os jogadores aceitem de bom grado este abuso, as empresas fazem toda uma lavagem cerebral. Oferecem todo tipo de quinquilharia bonitinha ou regrinhas bacanas para fisgá-los. Além de criar as normas oficiais que regem os campeonatos destes jogos. Isso, claramente determina que somente as peças da edição mais recente é que valem nas disputas. Por isso se você não se adequa está fora. Simples assim.

Aqueles poucos que conseguem acompanhar este nível de consumismo começam a ter a falsa sensação de estarem no topo da cadeia evolucionária e que, por isso, são melhores do que os outros jogadores. Apesar de muitas vezes este consumismo nem ser alimentado pelo suor de seus próprios rostos e sim pela mesada que eles ganham do papai.

Esse tipinho tóxico de jogador adora disseminar discursos de segregação como “Tinha que retirar todos esses “noobs” daqui, que estão atrapalhando o nosso jogo”. “Somos NÓS que damos lucro para esta loja!” – como se o dinheiro deles fosse melhor que o dos outros – ou “Não jogo com Fulano porque ele usa miniaturas de papel”, ou senão porque usa protótipos no lugar das cartas ou coisa do gênero.

Logicamente, esta postura é responsável por vários ressentimentos entre jogadores, que culminam muitas vezes com a evasão dos mesmos. Mas, apesar desta babaquice, às vezes, passar dos limites.

Em primeiro lugar, não sou contra o consumo, e sim contra o consumo alienado e a discriminação. Como game designer, é claro que eu gostaria de ter um público que chega para mim e diz: “Cala a boca e pegue o meu dinheiro!”. Entretanto, o meu objetivo ao criar jogos é retirar as pessoas da “matriz da idiotice”, e não jogá-las lá.

Em segundo lugar, quando os jogadores usam do jogo para segregar e se alienam, ele deixa de ter valor. Creio que esses ainda não compreenderam o real sentido pelo qual nos reunimos para jogar: a socialização.

Portanto, se você tem grana para construir baralhos ou exércitos de miniaturas milionários, principalmente nestes tempos de crise e alta do dólar, sorte a sua. Mas não seja babaca com quem não tem esta condição! Lembre-se que o melhor jogador é o mais habilidoso e não o mais rico. E se duvida, monte um deck Pauper1 ou um exército de Paperhammer2 e ai vamos ver se você é tão bom assim!

Na próxima postagem iremos ver o outro lado da moeda, dos jogadores que deram uma banana para o consumo alienado imposto pelas grandes empresas e criaram novas modalidades de baixo custo para jogos já existentes.

NOTAS:
1 - Modalidade de Magic em que só são válidas cartas comuns, que em geral têm menor preço.

2 - Modalidade de Warhammer 40k em que alguma ou todas as miniaturas do exército são produzidas em papel.

40 comentários:

  1. Muito interessante, e concordo plenamente com a mensagem.

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    1. Infelizmente, algumas pessoas desvirtuam o sentido do jogo.

      Acho interessante como no RPG temos uma diversidade de marcadores (miniaturas, botons, miniaturas de papel). Nada atrapalha a diversão.

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  2. Gostei da postagem, espero pelo próximo post.

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  3. Fico feliz de saber que vocês gostaram da matéria. Muitos jogadores não encontram um ambiente com gente bacana e acabam abandonando o hobby por causa desse tipo de babaquice.

    Vejo isso muito, mais do que eu gostaria. Eu acho que quando a gente é entusiasta de um jogo, o nosso dever é divulgá-lo e atrair mais gente. Essas panelinhas consumistas não agregam em nada para o jogo nem para os jogadores!

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  4. Bem dizido.

    Esse comportamento só afasta as pessoas. Talvez para alguns hobbies muito difundidos, não seja tão problemático (ainda que babaca), mas nos mais restritos é suicídio.

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    1. Fabio, confesso que fiquei surpreso com as atitudes retratadas aqui pelo José. Não esperava esse tipo de comportamento segregador de jogadores de qualquer jogo.

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    2. Eu acho q um hobby só pode ser bem difundido quando os jogadores têm uma boa postura com o outro. O sucesso do jogo depende disto.

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    1. Se shits not happen, ela sai neste final de semana.

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  6. Passamos por isso aqui em BH, Minas Gerais, em que um grupo perdeu o sentido da diversão e fica menosprezando jogadores de paperhammer! Jogo Warhammer 40k desde 1992, possuo uma coleção considerável de miniaturas originais e hoje tenho um grupo dominical de jogadores que em grande maioria estão começando com o paperhammer (ate p escolherem ser exércitos oficiais). O que é dito pelo José (que é nosso fornecedor de minis) é totalmente verídico! Outra coisa que decretamos em nosso grupo é a estabilização na quinta edição, acrescentando algumas regras que será decidido por todos, não tendo mais que ficarmos mudando de edições a cada dois anos!

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    1. Lex, concordo contigo. Tive a oportunidade de conhecer o jogo no aniversário do José e achei a proposta do paperhammer uma boa. Principalmente para quem quer primeiro aprender o jogo.

      Outro ponto que achei interessante foi vocês fixarem a edição. Por que mudar de edição a todo o momento?

      Acredito que quebrar com esse troca-troca das editoras de versão do jogo só pode ser feita pelos jogadores.

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    2. Perderam o sentido da diversão e do próprio jogo em si! O pessoal do "Warhammer 40k Ostentação" está mais preocupado em exibir o que eles têm do que em jogar! E quando um novato se aproxima deles, em vez de darem moral pro cara, ficam esculachando!

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    3. Por isso, que até bem pouco tempo atrás, os jogadores de Warhammer 40k não passavam de uma dúzia.

      É o sangue novo, em sua maioria, que está levando o jogo aqui em BH pra frente!

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  7. José, fiquei pensando que muitos jogadores hoje não viveram a "geração xerox". Hahahaha. Tinhamos que nos virar no inicio da decada de 90 para conseguir miniaturas e livros. Lembro que nunca conseguimos jogar BattleTech por causa da falta de miniaturas. Quem dera se naquela época tivéssesmos as miniaturas de papel.

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    1. Nossa vida teria sido muito mais fácil mesmo, Filipe. E muitos destes jogadores que menosprezam miniaturas de papel - senão todos - começaram jogando rpg com aquelas caixas clássicas do D&D, aonde todos os personagens eram triângulos de papel. E agora, simplesmente cospem no prato que comeram!

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  9. Gostei da matéria, achei uma boa observação do nosso ambiente de jogos analógicos.

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    1. Espero que a galera repense um pouco suas atitudes.

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    2. Pra você ver, Gabriel. Já não basta o jogo analógico lutar pra sobreviver na concorrência contra o jogo virtual, ainda tem uns babacas pra roer a corda!

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  10. Este comentário foi removido pelo autor.

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  11. Gente, queria agradecer à todos pelos elogios à matéria. E aproveitando o embalo, gostaria de fazer um jabá aqui, se você me permite, Filipe. Porque o blog da minha empresa de jogos, a Macunaíma Games, comemorou recentemente um ano no ar! Então, dêem uma conferida também na matéria que escrevi por lá. E se vocês curtiram o post, compartilhem e deixem lá os seus comentários. Tae a postagem:

    http://macunaimagames.blogspot.com.br/2016/02/um-ano-de-macunaima-games-no-ar.html

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  12. por essas e outras eu trabalho com PNP. O mais malandro no meu caso é quem é padrinho, que vê antes da geral

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  13. Não me lembro de ter sido babaca com ninguém, simplesmente não vou colocar minhas minis na mesa para jogar com alguém com minis de papel, fora de escala e com bases diferentes das tradicionais! Existe um mercado mais barato de adquirir minis, seja as feitas pelo Walter Mb (cujo boa parte do meu army de necrons são minis feitas por ele) e no mercado chinês (recast)!! Só lembrando que Warhammer é um hobby colecionável de kits de montagem e pintura, e q o wargame fica em 2º lugar (a própria empresa deixa claro isso. Em relação as regras, mtos jogos e sistemas de rpg's lançam regras novas para concertar bugs e melhorar o jogo, tudo no mundo é assim, evolui! Os livros de regras e outros sempre são achados na internet para baixar e de fácil acesso. Em relação aos novatos, sempre quando pude, dei assistência a todos, indicando textos para lerem e entenderem primeiramente a história do jogo em si e as regras, indicando lugares para comprarem minis com custo mais baixo e até exércitos inteiros de segunda mão! Existem outros jogos em formato de skirmish, onde é necessário poucas minis para jogar (como X-Wing, Lord of the Rings, Warmachine e Hordes) q o custo é menor, pois se precisa de poucas minis para jogar! O hobby em si é caro mesmo, infelizmente a economia do nosso país hoje não ajuda mesmo, mas esse é um hobby de miniaturas! E só pra constar, não sou "ostentação", sou da classe média baixa, moro na região metropolitana de bh, e não recebo "mesada" dos meus pais! Obrigado pelo espaço.

    Rildo Lucio Andrade.

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    1. Ai Rildo. Bacana. Tudo é uma questão de escolha. Por ser um jogo colecionável, o jogador tem que optar se quer gastar a grana.

      Se é apenas por diversão, até token circulares, como no D&D pode ser utilizado.

      São apenas escolhas e tem espaço para todos.

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    2. Entendo o seu ponto de vista, Rildo. Porém, acho importante fazer algumas observações.

      Realmente, comigo você nunca foi babaca. Mas venhamos e convenhamos que o público num geral do Warhammer 40k tem uma postura bem segregadora. Eles são os primeiros a espantar os novatos do hobby. Prefiro não citar casos e nomes pra não parecer perseguição da minha parte. Mas é bom lembrar que você mesmo já foi alvo de ostracismo de jogador babaca recentemente.

      Em segundo lugar, se o pessoal só virasse e falasse "o negócio é que eu curto o hobby de plastimodelismo" não tinha problema. Respeito isso, apesar da minha praia ser o papercraft. Só que eles levam isso para o jogo. E no meu ver, assim como de todos que já jogaram paperhammer, é irrelevante para o andamento do jogo se as miniaturas são 2d ou 3d, flui do mesmo jeito.

      Você falou das escalas. Eu não vejo diferença nelas. Inclusive, os veículos de papel são até mais bem feitos que aquele Land Raider torto que você comprou na mão do chinês. Foi mal!

      Quanto ao lançamento de suplementos, a Games Workshop é uma das empresas mais grotescas em termos de consumo alienado. Ela não tem o menor interesse em aprimorar o jogo, e sim em vender jogos com erros e desequilíbrios totalmente desnecessários, pra vender depois novos suplementos que em tese corrigiriam o erro, mas trazem outros ainda piores, num ciclo vicioso que coage jogadores a gastar com coisas mal feitas. E é por isso que nós, do Paperhammer, adotamos a 5a edição como definitiva, por ser a menos problemática.Realmente a GW produz as melhores miniaturas do mercado. Mas no quesito ouvir, atender e respeitar o cliente, ela é nota zero!

      Apesar da lavagem cerebral da GW pra vender mais, Warhammer 40k é um JOGO de miniaturas, antes de tudo. Se o hobby de modelagem fosse a prioridade, não existiria um Codex para cada exército, suplementos como os Imperial Armours e Champain Books. Além do mais, as miniaturas seriam lançadas como aquelas coleções que a gente vê nas bancas, com um modelo de cada e pronto.

      E como eu disse na postagem, alguns, e não todos, são filhinhos de papai. Você não é, definitivamente. Mas, infelizmente, tem a mesma postura segregadora, consumista e alienada do pessoal da "ostentação", como fica óbvio pela sua fala. E duvido que esta postura mudaria se o jogo em questão fosse outro, como algum dos que você citou anteriormente. Esse mimimi de que não joga contra exército de papel, pra mim, é recalque de consumista alienado que tem medo de tomar wipe-out de um exército dez vezes mais barato que o seu. É o mesmo que admitir a sua incompetência como jogador de Warhammer 40k. Ae é melhor ficar só colecionando mesmo.

      Apesar de tudo, tenho que reconhecer que você foi o único daquela panela que teve peito pra postar aqui a sua opinião. Por isso, eu o saúdo.

      José Noce Bones de Souza

      O Imperador Protege!

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    3. Agora me permita Bones, vc falar mal do meu Land Raider q vc viu uma vez só é mto facil, agora dizer q o seu é melhor! Me poupe amigão! E pra constar, papercraft é dobrar a imagem e fazer o objeto em 3D, e vc está vendendo imagens impressas em folha A4 que qualquer um pode imprimir, recortar, plastificar e colar numa base! A questão da escala é fato q está desigual, só não ver quem é cego! E por ultimo, dizer q a galera é "filhinho de papai" sem conhecer a vida de cada um soa como recalque. Se vc quer entrar num hobby, mas ele é mto caro para o seu bolso, então não entre, simples assim! Procure outro hobby mais em conta pra vc! E se exibir para quem é do hobby minhas minis pintadas, esperando criticas e sugestões construtivas, é ostentar... então ostento mesmo!!!

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    4. Rildo, reconheço ter errado em criticar o seu Land Raider, porque acabamos entrando no campo dos valores e fé. Eu acho que os meus veículos são melhores, você acha que o seu é melhor, e um não vai mudar a opinião do outro. Então, deixemos como está.

      Quanto às escalas, você pode me enviar as proporções corretas, que se as minhas estiverem erradas, prontamente eu corrijo os vetores.

      Imprimir, recortar, plastificar e fixar numa base – já que as miniaturas não são coladas, para que elas sejam mais fáceis de guardar – por si só, já demanda tempo ou habilidade que muitos não possuem. Sem contar o trabalho de modelar os vetores no computador. Além disso, grande parte dos exércitos é feita sob encomenda, demandando mais tempo ainda com as personalizações. Para quem não sabe, o papercraft é tão trabalhoso quanto o plastimodelismo ou a pintura. Além do mais, tenho muito orgulho de ter empoderado várias pessoas, que graças ao meu trabalho, puderam ingressar neste hobby.

      E não, eu não desmereço quem compra, modela, pinta e coleciona miniaturas, apesar de repudiar terminantemente atitudes excludentes. Sou da opinião que se uma pessoa adquire miniaturas estritamente para colecionar ou mesmo pra jogar com elas, isso é um hobby como qualquer outro. Mas se usa isso como pretexto para desfazer de outros jogadores que não têm materiais similares aos seus, é ostentação mesmo. Particularmente, jogo Warhammer 40k com qualquer pessoa que esteja usando qualquer exército. Seja de peças de papel, do Walter, do chinês, originais ou do que for que elas sejam feitas. Podemos até marcar uma partida se você quiser. Inclusive faço as devidas calibragens nos meus exércitos pra eles se enquadrarem na 7a edição. Isso se você achar que pode derrotar meu humilde exército de papel.

      "Se vc quer entrar num hobby, mas ele é mto caro para o seu bolso, então não entre, simples assim! Procure outro hobby mais em conta pra vc!" Simplesmente, lamento a sua postura. Ela é prejudicial não para mim ou para você, mas para o hobby como um todo. É por causa desta mentalidade que o Warhammer não tem ido pra frente até agora aqui em BH.

      Mas, enfim, estas são minhas opiniões particulares. Cada um tem as suas.

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  14. Gostaria de acrescentar algumas considerações que esqueci:
    1º - Como já dito a GW funciona como empresa e faz de tudo para vender, liberando a cada dois anos todos os livros (regras e de exércitos) fazendo uma renovação total em todos os seus produtos gráficos, não necessariamente melhorando ou retirando falhas ou bugs;
    2º - Nos últimos anos a GW tem tomado algumas atitudes que estão fechando o mercado e centralizando seus produtos em poucas lojas franqueadas, infelizmente dificultando assim a aquisição de miniaturas desta;
    3º - Outra atitude executada pela GW é identificar sites que disponibilizam seu material gratuitamente e denuncia-los, bloqueando-os, um triste fato que nos faz trocar copias entre nos mesmos;
    4º - O hobby de miniatura pode ser separado em quatro partes: Colecionismo, Plastimodelismo (ou conversões), Pintura e o Jogo propriamente. Não é obrigatório ser/ter habilidades ou gosto por todos! Eu mesmo entrei pelo colecionismo e plastimodelismo, hoje amo jogar e quase não tenho minis pintadas (o que fazem muitos me zuarem, o "Exército cinza"). Tenho 5 exercitos diferentes (todos originais) e acabo tendo um vicio de colecionador mas nunca deixo de me divertir jogando!

    Enfim, hoje somos partes do Grupo de Jogos Sétima Armada e estamos centrados em um projeto do município muito bacana ("A escola aberta"), em uma localização acessível á toda região metropolitana de Belo Horizonte, região do centro de BH, próximo ao metrô e muitas linhas de ônibus e tendo encontros todos os domingos das 14 ás 18 horas!
    Todos dispostos a se divertir, sempre são muito bem vindos!

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    1. Lex, a idealização da escola aberta e o jogo sendo disponibilizado nesse espaço é fantástico. Nessa circunstância, acho muito interessante a iniciativa do José quanto a disponibilizar miniaturas de papel, pois muitos novatos não teriam grana para investir.

      Dessa forma, consegue-se atrair novos jogadores para o jogo.

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  15. concordo em grande parte com a publicação... parabéns pelo post.

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  16. Antes de fazer alguns comentários, queria dizer que até hoje não sei se me encaixo ou não na panelinha “ostentação”, e seria bom se vocês explicarem melhor o que precisa para fazer ou não parte deste seleto grupo. Não usar minis de papel? Ter miniaturas originais? Se recusar a jogar contra minis de papel? Participar do grupo “ostentação” no whatsaap?
    Agora sim as considerações:
    1º - As minis de papel podem realmente ser um bom ponta pé inicial para quem está conhecendo o jogo, e não quer investir sua grana ainda, por não saber se vai gostar do jogo, ou apenas para escolher o exército. Esta é uma solução tão boa quanto qualquer outro proxy, ou até mesmo pegar minis emprestadas do coleguinha, cada um escolhe o que é viável, ou melhor na ocasião. Porém, tirando a questão de conhecer o jogo, as miniaturas de papel possuem sim grandes problemas para o jogo em si, por serem em 2D, estarem fora de escala e com bases diferentes, atrapalham sim regras básicas do jogo como cobertura, linha de visão, movimentação, áreas de blast , e etc.
    2º - Comentaram sobre comprar minis com o dinheiro do papai e etc., mas o que eu vejo em BH é que somos o grupo mais “fodido” de warhammer do Brasil, e isso é facilmente identificável nos fóruns de Warhammer nacional. Não conheço todos os jogadores de BH, mas os que conheço rala muito e se esforçou para conquistar o que tem, investiu no hobby entre contas e outras obrigações. Eu mesmo não compro miniaturas há mais de dois anos por falta de grana, e tenho minha coleção graças ao meu esforço e a época de ouro com dólar a menos de R$2, frete gratuito para o mundo todo, ou queima de estoque da Hobby Delivery. Por outro lado, mesmo se existirem jogadores que compram suas minis com o dinheiro dos pais, também não vejo problema nisso, sorte deles. Ficar com raivinha disso, em minha opinião, não passa de recalque pseudo esquerdista.
    3º - Falar que vocês pararam na 5ª edição por ser a menos problemática é muita bobagem... Primeiro porque desde a 4ª edição (quando comecei a jogar), a 5ª edição é a que apresenta mais problemas e desequilíbrio. A 6ª edição começou a melhorar, mas ainda tinha problemas, e a 7ª edição (que poderia ser considerada a edição 6.5) veio para resolver estes problemas, e mesmo não sendo perfeita é claramente a que apresentou a melhor jogabilidade até então (e já aproveito para adiantar aqui que em breve ela deve sair em português com tradução feita por fãs). Sinceramente, acredito que seja preguiça em ler, compreender e testar as novas regras, foi meio que um efeito bola de neve, alguém falou que a 5ª era melhor, e o resto foi passando pra frente sem nem conhecer. E nem adianta vir com discurso anticapitalista, porque aqui ninguém compra os livros de regras, todo mundo imprime. Se fosse para ficar com regras antigas e “melhores”, que ficasse na 4ª edição, tem até livro de regras em português e ajudaria muito mais os novatos.
    4º - Do mesmo jeito que quem usa as minis de papel tem direito de usá-las, quem não usa tem o direito de não jogar contra. Isso é um hobby, não obrigação, cada um tem direito de escolher com quem quer jogar ou não, qual dia da semana jogar, ou se nem quer jogar e prefere ficar só na pintura. É uma perda de tempo ficar de mimimi por isso. Basicamente o que está rolando aqui é: Se você não concorda comigo, você é otário.
    Para finalizar digo que atualmente jogo muito pouco, dei uma grande desanimada com 40k faz algum tempo, e estou voltando a animar agora, mas uma das coisas que mais desanimam (e sei de mais gente que parou de jogar por isso) é que BH apresenta os grupos mais mimizentos que já vi, é muita picuinha pra um jogo só, tenho paciência para isso não. Se você joga com fulano, não joga comigo, se quer jogar sábado está errado porque os jogos são domingo, e etc., etc. e etc. BH leva a sério a máxima do 40k... IN BH THERE IS ONLY WAR.

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    1. Eduardo, obrigado pelo posicionamento e franqueza. Muita coisa para se pensar.

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    2. Falou tudo Eduardo, é isso que acontece, muito mimimi.

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    3. Suas observações são bem pertinentes, Eduardo. E assim como o Lex, gostaria aqui de fazer alguns esclarecimentos, principalmente a respeito do Paperhammer.

      Antes de começar, tem a resposta para o seu questionamento sobre o que seria a “panela da ostentação”, pelo menos na minha concepção, já que eu que fiz esta referência. Minha segunda resposta ao Rildo responde parcialmente a sua pergunta. Porém, francamente, não posso dizer se você faz parte ou não, dado o nosso pouquíssimo convívio. Mas como ali eu expressei minha opinião particular, creio que o mais importante é o que você pensa a respeito da questão.

      1 – Concordamos que as miniaturas de papel são uma porta de entrada para o hobby. Mas discordo na questão das escalas. Dos veículos, não vejo diferença entre a escala dos Dreadnoughts que eu produzi, por exemplo, para outras peças similares originais ou do Walter. Em questão das miniaturas de infantaria, talvez o que ocorra seja uma má interpretação. As questões que você levantou poderiam afetar uma partida, teoricamente. Mas na prática, isto nunca aconteceu, nem comigo nem com outros jogadores. As partes transparentes, da plastificação, são desconsideradas em termos de visualização no Paperhammer. E talvez haja uma ilusão de ótica quanto ao tamanho das miniaturas, já que elas possuem um contorno preto, que é a margem de corte. Outra coisa são as bases, que apesar de serem quadradas, possuem a mesma medida de 1 polegada. Tanto os excessos da margem de corte quanto das pontas da base quadrada, apesar de mínimos, são considerados em termos de visualização e marcadores, para compensar o fato das miniaturas serem planas. E se há qualquer polêmica em questão do campo de visão, cobertura, etc, o próprio jogador gira suas miniaturas 45° pra esquerda ou direita, dependendo da situação.

      2 – A postagem fala em termos gerais, indo muito além dos jogadores de Warhammer 40k de BH. Pois estas atitudes, infelizmente, se reproduzem em vários outros círculos e jogos. E tem muito playboy por ai destratando outros jogadores por não terem baralhos ou exércitos caros como os deles. E se discriminar usando o suor do seu rosto já é uma baita babaquice, com a mesada do papai é babaquice em dobro, já que aquela pessoa não tem mérito nenhum pra poder contar vantagem. Não são o gasto ou a sua fonte que são condenáveis, e sim este tipo de atitude mais do que equivocada.

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    4. 3 – Quanto a pararmos na 5ª edição, há muitos fatores envolvidos. Definitivamente, não é por preguiça nem por resistência a mudanças. Se olharmos apenas para o livro das regras, é o menor dos fatores. Como você bem lembrou, os livros estão todos na internet, de todas as edições. Mas quando pegamos uma edição de Warhammer 40k, devemos levar em conta também os codexes e outros suplementos ou acessórios. Se não me falha a memória, você também costumava jogar com Orks, assim como eu. Você viu a porcaria que ficou o Codex Ork? Simplesmente injogável. E quase todas as alterações que observei nos codexes atuais mais bugam os exércitos do que agregam alguma coisa. Já os codexes da 5ª edição são todos competitivos entre si. Outro fator importante são as ferramentas como o Army Builder, já que uma das nossas preocupações é ensinar os novatos a jogarem e a construírem seus próprios exércitos. Apesar da 4ª edição ter um manual em português pt, eu desconheço alguma versão do Army Builder ou de outro programa similar para a 4ª ou edições anteriores. O Builder da 5ª é completíssimo e fácil de achar pra baixar de graça, apesar de ter pequenos bugs, mas que não chegam a atrapalhar. O da 6ª acha de graça também, mas é incompleto e super bugado. E o programa pra 7ª só vi pagando e caro. Independentemente, sobre lançarem a 7ª em português br, pra mim só agrega. Nós também, em breve, pretendemos lançar uma versão nossa, um “Looted” Warhammer 40k, corrigindo os bugs da 5ª e incluindo as especificidades do Paperhammer e de jogos híbridos. E como a idéia é a regra ser definitiva, jogadores parados como você poderiam retornar ao hobby sem cair de pára-quedas.

      4 – Você tem razão, Eduardo. Em BH, só existe a guerra, infelizmente. Mas veja bem, não concordamos em certos pontos, mas estamos aqui conversando de boa. Cabe a cada jogador separar o que são desavenças meramente pessoais ou simples desencontros, daquelas posturas realmente escrotas de certos jogadores. Quando estes caras começam o seu discurso de segregação, todos saem perdendo! Ainda mais porque os mais escrotizados em geral são os novatos. Ae acabo perdendo a compostura, e desde já peço desculpa aos leitores do blog por isso. O que me deixa fulo não é o que fazem comigo, mas com os outros. Infelizmente, ou felizmente, eu sou assim, sempre tomo partido quando vejo coisa errada, e não consigo ver certas coisas e ficar calado. Já vi gente entusiasmada buscar na internet grupos com quem jogar e cair na mão destes tipinhos. Ao invés de auxiliarem a pessoa, ela teve que agüentar todo tipo de babaquice deles, até encher o saco e sair do grupo.
      Esta resposta ficou mais comprida que a postagem. Mas espero ter esclarecido alguma coisa.

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  17. Concordo em parte com o que foi dito por alguns com algumas ressalvas em relação ao warhammer:
    O problema descrito pelo Jose, não é o de ter ou não minis réplicas/originais em 3d e sim como os que estão com minis 2d são hostilizados por estes, a palavra ostentação foi apresentada aqui mais para representar esta divergência criada por alguns (que ja presenciei e ainda presencio dezenas de vezes). Lógico que todos gostariam de ter todas as minis originais, mas infelizmente nos padrões brasileiros isso é muito restrito. O que gera insatisfação é o "não montar um grupo ou fazer amizades e trocar ideias" pura e simplesmente por preconceito;
    Em momento algum foi dito que miniaturas 2d são melhores ou substituirão as 3d, estas são usadas p iniciar pessoas que tem interesse em começar a jogar mas não escolheram o exercito e não conseguem emprestado;
    Nas próprias regras estão discriminadas que bases podem ser maiores que as originais mas nunca menores (então esta situação de diferenças de base não procede);
    Devo conhecer 90% dos jogadores de warhammer da grande metropolitana de BH e acredito não sermos o grupo "mais fodido", mas o mais disperso e desorganizado. Uma união bacana que temos a bastante tempo é com o grupo Sétima Armada que possui frequentadores assíduos em maior quantidade aos domingos e horários estabelecidos e também participa de eventos, não é bem aproveitado por muitos (incluindo ai a parte de divulgação do warhammer) e a ocupação do espaço que será mais justificável quanto maior for a quantidade de frequentadores;
    Jogo regularmente desde 1995 segunda edição, lendo desde a primeira edição ate a sétima (não sendo então "preguiça de leitura") e já observei o acréscimo e retirada de regras principalmente nos livros de exércitos (codex) para beneficia-los e aumentar as vendas. No início existiam muitas customizações e alterações livres em miniaturas, criaturas ou veículos, ou o uso de miniaturas de outras produtoras o que hoje em dia não é aceito pela GW, em "jogos oficiais" ou por aqueles que privilegiam as regras oficiais;
    Como disse nos baseamos na quinta edição (apesar da quarta ser em português que possuo inclusive) pois esta foi a ultima edição ainda sem incluir o antigo suplemento apocalipse (que foca em batalhas monumentais) e que dificilmente é encontrado em jogadores em nossa região com quantidade suficiente para partidas de tal magnitude

    Outras vantagens da quinta em relação as seguintes:
    * É baseado em infantaria;
    * Veículos não são invencíveis;
    * Ha menos disparos dinamizando a faze d tiros;
    * Combate simplificado (distancias de cargas iguais);
    * Não ha desafios;
    * Simplicidade em psiquismo;
    * Ao todo as regras são mais simples tendo um jogo mais fluido;
    * Sem acréscimo de regras do suplemento apocalipse ("desobrigando" uso de "coisas maciçamente destruidoras ou indestrutíveis");

    Desvantagens da quinta (serão acrescidos como "regras da casa" conforme acordado entre os participantes frequentes):
    * Não ha tiros defensivos;
    * Não ha medições antecipadas antes dos disparos;
    * unidades aladas são tratadas como unidades com mochilas de salto;
    * Entre outras que se for o caso também a incluiremos;

    Enfim, reitero o convite a todos que desejam conhecer o warhammer 40k, somos encontrados aos domingo no Sétima Armada de 14 as 18hs.

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    1. Cada vez conheço um pouco mais nesses comentários.

      Quanto a edição escolhida para jogar, acho que cada grupo tem a opção de escolher.

      Em relação ao lançamento de novas edições vejo como uma tendência do mercado de jogos. Lembrando que isso não é novo. Quem jogou WAR sabe o tabuleiro mudou algumas vezes ficando mais moderno e, talvez uma tentativa de atrair novos jogadores.

      Pelo que entendi, a edição pouco importa para a diversão. O importante é que a regra seja aceita por todos os jogadores que participem da mesa de jogo e previamente acordado.

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    2. Bem colocada a questão do preconceito, Lex. Pois senão, logo vai ter jogador "se dando ao direito" de não jogar com jogadores negros ou homosexuais, por exemplo.

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