Estória do personagem – Parte I


Guia rápido para criação de estórias de personagens coerentes
por Filipe L. Dias

Não foi poucas vezes que questionei as personagens criadas pelos jogadores em minha mesa de GURPS BANESTORM (na época GURPS FANTASY).

Sempre tinha alguém que chegava com uma estória absurda, do tipo: “Meu personagem é um hobgoblin que se separou dos pais quando criança, sofreu várias atrocidades nas mãos dos orcs e hoje ele é um mago rúnico, bonito e com luxuria.”

Meu desespero maior é que esses jogadores criavam um pano de fundo apenas para justificar uma habilidade ou uma vantagem. Entretanto, suas fichas de personagem jamais refletiam toda a estória.

Para resolver isso, criei algumas perguntas que os jogadores teriam que responder sobre suas personagens. Confesso que isso nos ajudou muito a construir PCs mais interessantes e mais dentro do cenário. Esse método pode ser usado para qualquer cenário de fantasia.

Minsc, personagem
icônico de BG.
1 – Qual a sua atual profissão (mercenário, ferreiro, pajem etc)?

2 – Qual a sua raça (humano, elfo, goblin, anão etc)?

3 – Qual o seu nível social (escravo, servo, cavaleiro etc)?

4 – Onde a personagem nasceu. Como foi a infância dela?

5 – A personagem possui família? Qual é a relação dela com os familiares?

6 – a personagem possui algum amigo ou inimigo de longa data? Como os conseguiu?

7 – A personagem tem alguma religião? Ele é religioso?

8 – Como a personagem se comporta frente às outras religiões?

9 – O que a personagem acha e como se comporta frete as outras raças?

10 – O que a personagem mais detesta?

11 – O que a personagem mais valoriza

12 – Qual o objetivo de vida da personagem?

13 – A personagem possui alguma reputação?

14 – Descreva a personalidade básica da personagem?

15 – A personagem é da região da campanha? Se não, o que te levou a sair da sua terra natal?

Essas e muitas outras perguntas podem ser usadas para definir a estória da personagem. Depois de respondê-las fica fácil construir a ficha e distribuir os pontos de vantagens, desvantagens, peculiaridades de pericias.


Espero que gostem e comentem como fazem para criar personagens com estórias coerentes.

6 comentários:

  1. Esse tipo de personagem existe em todas campanhas. Monta a ficha antes de pensar na história. Então depois é preciso inventar alguma coisa, normalmente tosca, para justificar o que está na ficha. Já tentei usar esse técnica, mas muito acham perda de tempo. Eu acredito que ajuda muito você responder as perguntas durante a escrita da história.

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    1. Tiago, nas minhas campanhas a galera foi resistente, mas aceitaram no final. Era hilário a cara deles quando iam responder as perguntas sobre família. Sabiam que eu poderia aproveitar na campanha.

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  2. Ótimo texto, e excelente questionário. Isto, em minha opinião, deveria ser feito (mesmo que mentalmente) sempre que criamos novos personagens. E não apenas jogadores, mas NPCs de relativa importância também.

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    1. Odin, acredita que nunca fiz para os NPCs. Excelente ideia!

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  3. Excelente postagem,Filipe! A diferença entre um personagem exótico e um farofeiro reside estritamente na sua composição. Me fez lembrar do Tharull, o Cruel. Mais do que jogar com um minotauro, muçulmano, gladiador e megalomaníaco, eu me preocupei em criá-lo de forma verossímil e de modo a se encaixar no cenário.

    Outro dia, em minhas garimpadas pelo Drive Thru RPG, achei material 0800 de um jogo - o qual não me lembro o nome agora - em que cada classe havia um questionário que ia montando a história do personagem. E para cada resposta, havia um bônus, na forma de uma distribuição compulsória de pontos em atributos, perícias e vantagens.

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    1. José, interessantíssimo esse método. Uma forma de compensar os jogadores por boas histórias.

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