Joga pedra na Devir


A Devir abandonou os jogadores?
por Filipe L. dias

Essa semana, eu acompanhei um debate em uma comunidade no Facebook que me fez parar e pensar na pergunta do subtítulo: “A Devir abandonou os jogadores de RPG, no Brasil?”

Esclarecendo, tudo começou quando a Terramédia, uma loja de RPG paulistana, tentou fazer um evento de RPG em seu espaço. Anunciou que haveria uma mesa de GURPS CYBERPUNK. Para resumir, a postagem virou um muro de lamentações e acusações. O evento acabou sendo cancelado.

Há muitos anos que escuto que a Devir foi a responsável para que o RPG estagnasse no Brasil. Entretanto, será que essa afirmação é verdadeira?

Em 1995 nosso grupo comprou o módulo básico do GURPS e o CYBERPUNK logo em seguida. Não demorou muito para adquirirmos o FANTASY, o MAGIA, o Grimório, o SUPER, o Horror. Compramos praticamente todos os suplementos de GURPS lançados em língua portuguesa. Mas a fonte de suplementos secou.

Dando ênfase para o MAGIC e para outros RPGs, a editora continuou forte com o sistema Storyteller. Vampiro, a Máscara e os livros de clãs; Lobisomem, o Apocalipse, Mago a Assenção, dentre outros foram alguns títulos que viraram febre no final da década de 90 e início dos anos 2000.

Não satisfeita com a quantidade de títulos, comprou os direitos de AD&D da Abril Jovem, Shadowrun da Ediouro e lançou alguns suplementos. Em seguida lançou o D&D 3.0.

Os títulos mais conhecidos no mundo em língua portuguesa eram da editora. Entretanto, à medida que as tiragens iam se esgotando, reimpressões não foram realizadas, desagradando os jogadores nacionais. Fora que nos Estados Unidos, novas edições começaram a ser lançadas e a Devir não acompanhou.

O RPG é como todos os outros produtos. Ele está sujeito às regras de mercado de oferta e procura. Se a venda é baixa, a tendência de qualquer empresa é deixar aquele produto de lado e investir em outros.

Com a popularização da internet, livros em pdf em inglês, piratas, comeram a engrossar os arsenais dos jogadores, que não dependiam mais das edições impressas. A pirataria surge como outro fator de risco para o mercado.

Olhando por esse prisma, não penso que a Devir contribuiu para que o RPG estagnasse no Brasil. Entendo que foi o mercado. Vale a pena correr o risco de investir em produtos que não geram perspectivas de lucro?

Ficar jogando pedra na Devir não fará novos jogos serem lançados. É perda de tempo e descortesia. Reconheço os méritos da empresa que por muito tempo deu suporte aos jogadores brasileiros. Ela foi bem sucedida onde outras fracassaram. Mas tudo passa. Novos jogos surgem, novas editoras e novas formas de vender, como o financiamento coletivo. Esperemos que a Devir reinvente sua relação com o RPG. Os fãs agradecem.

11 comentários:

  1. Não é beeeem assim. Convenhamos, existem lançamentos muito mais interessantes acontecendo pelas outras editoras.

    As editoras estão encontrando novos caminhos porque entendem seus consumidores. A Devir não se adequou a nada, continua cometendo os mesmos erros e sequer se dá ao trabalho de dar satisfação.

    Isso dava muito certo quando se é a única editora de RPG no país, mas agora as coisas mudaram. Existem concorrentes para se comparar qualidade e competência. Então não é mera reclamação ou lamentação. Um cliente da Devir agora quer, no mínimo, o mesmo empenho, interesse e tratamento que consegue de outras editoras.

    Lidem com isso, ou desistam.

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    1. Sempre tem comi melhorar. Valeu pela opiniao.

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  2. Concordo com o Guilherme. Tem várias editoras já e elas dão um suporte MUITO superior ao da Devir. Aliás, elas dão suporte, a Devir nunca deu. devir não responde emails, não tira dúvidas, não mantém contato com jogadores. Nunca fez isso. Veja Retropunk, RedBox e outras. Elas tem um contato muito próximo com o cliente. O Old Dragon teve tiragens de 300 exemplares na 1ª impressão, 1000 na 2ª e 600 na 3ª. A Jambô tem vários títulos do Tormenta em contínua publicação e tem MUITOS livros pirateados deles por aí. Mas continuam vendendo. A Devir deu, dá e continuará a dar muita bola fora... RPG dá retorno sim, mas é menor do que anda dando o retorno de jogos de tabuleiro (Devir tem publicado vários). Talvez a questão da Devir seja a margem de lucro esperada. Até a SJ Games lá fora vende mais em PDF de GURPS do que livro impresso. As vendas físicas estão caindo. E mais, a Devir sempre comete erros grosseiros de tradução e edição. GURPS foi um festival de erros. E ela continua cometendo esses erros nos jogos de tabuleiro também...

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  3. Nerun, você tocou em um ponto interessante. a venda de pdfs. Ela é uma alternativa à venda de livro físico. Se a demanda é grande, pode-se se partir para a versão impressa.

    Bem, como na minha opinião livros não necessitam de um suporte, a não ser o SAC, não vejo tanto problema. Apesar que, quando você possui mestres que podem tirar dúvidas ou um forum onde as pessoas podem trocar ideias, a coisa flui melhor.

    O que percebo é que as editoras precisam criar um clube virtual para reunir os jogadores. É uma boa saída de marketing.

    Valeu pelo comentário.

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Não sei bem o quanto daria certo a venda de livros de RPG em formato pdf aqui no Brasil. Infelizmente muitos podem optar pelo pdf pirata mesmo e não pagar nada - talvez a vantagem seja o pdf em nossa língua - mas com possíveis erros de tradução, gerando mais polêmica e tal, pode não parecer assim tão boa ideia. A pergunta é: o que o consumidor está disposto a pagar? Por um livro impresso ou por uma versão digital? Ou depende do tipo de consumidor...? Ou a versão digital deveria ser bem mais barato??
    Também não vou culpar a Devir - se ela falhou em algum ponto, então abriu assim mais espaço para outras editoras. O mercado aqui no Brasil é diferente do americano - o público-alvo não é do mesmo tamanho, não tem a mesma cultura de jogos de tabuleiros, leitura, etc. que eles tem lá fora.
    De fato o RPG conquistou e ainda conquista gerações de jovens - mas hoje também há outros atrativos que não haviam alguns anos atras aqui no Brasil - muitos jogos de computador (inclusive ditos RPGs), e talvez até, infelizmente, ter sido uma espécie de moda, era novidade, etc. Lembro que os Encontros Internacionais eram gratuitos, havia um dia mais dedicado às escolas, tudo para incentivar os jogadores da época. Hoje já não vejo isto (também não estou assim acompanhando muito o mercado...).
    Também pra quem quiser comprar os livros oficiais de algum sistema grande e famoso acaba sendo um jogo caro - não é mais fácil e barato se render ao esporte nacional e jogar futebol com os amigos no fim de semana?
    Ou o que o RPG traz de diferente? É um jogo que ajuda a pensar? Ou é apenas um passatempo? Creio que cada jogador tem um interesse quando pratica este hobbie, mas não podemos negar que o RPG tem realmente um potencial crítico, histórico, e representativo que outros jogos não tem (ou até tenham, mas é de outra forma).
    Para refletir: Não pergunte o que a Devir (ou qualquer outra editora) pode fazer pelo RPG, mas sim o que o você pode fazer por este hobbie que tanto ama! (parar de piratear pdfs, xerox, etc. já seria uma boa ideia? - você tem a camisa original do seu time de futebol? Ou usa aquela marca de tênis, roupa, etc. também original? Por que com o RPG seria diferente? Ou o RPG é só um joguinho bobo que de vez em quando jogo com meus amigos...? Pense nisto - se houver mais público consumidor fiel, isto é, também menos pirataria, então as editora nacionais publicarão mais jogos em nossa língua).

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    1. Cara, os pontos que tocou também são muito relevantes. Nosso mercado é diferente do americano. Temos muita pirataria. Temos menos cultura.

      Como falou, as editoras estão ai para publicar, mas quem realmente pode fazer algo pelo hobbie são os jogadores atraindo novos públicos para o RPG.

      Obrigado pelo post.

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    2. Obrigado Odin, pela presença.

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  6. Erros e acertos da Devir à parte, hoje nós rpgistas temos um leque muito maior de escolha de títulos e editoras. O mercado independente que o diga! Quem não se adaptar a esta realidade está fadado a fechar as portas cedo ou tarde.

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    1. Realmente José. O mercado mudou. tem outras editoras e outros jogos. Enfim, opções não faltam.

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