RPG Independente X RPG Alternativo


Neste post, vamos conhecer a diferença entre estes dois gêneros de RPG, e que geram muita polêmica quanto a sua definição entre os RPGistas. (por José Bones)


O que é RPG Indie (ou Independente)?

Segundo a Wikipedia, “o termo indie, do inglês, é a abreviação ... de independent (em Português, independente), se aplica, na indústria de artes e performance, para os músicos, produtores e artistas que ainda não tem contratos de press and distribution (PD, ou imprimir e distribuir) e lançam os seus projetos independentemente. Este termo também se aplica a empresas de desenvolvimento de jogos, ou até mesmo desenvolvedores que lançam seus projetos de forma independente.” No dicionário Aurélio, independente significa “Livre; autônomo”. Então, RPG Indie é aquele produzido e distribuído de forma autônoma, independente, sem o intermédio de atravessadores entre os autores e o público.

O termo Indie é muito ambíguo e controverso. Para alguns, a partir do momento que você cria uma empresa para imprimir e distribuir o seu RPG, este deixa de ser Indie. Enquanto para outros, se a empresa for sua e você tiver total liberdade de criação e distribuição, os RPGs que ela produz ainda são Indie. No entanto, é bom refletir sobre a abissal diferença entre a Reinos de Elgalor e a Steve Jackson Games. Apesar de ambas não estarem atreladas a terceiros, a primeira apresenta características Indie, enquanto a segunda apresenta características Mainstream (oposto de Indie). Este assunto em si gera muito debate, pois não há uma clareza sobre a linha divisória entre Indie e Mainstream.

O que é RPG Alternativo?

Voltando ao dicionário, veremos que alternativo significa “Qualidade das coisas das quais se pode escolher a que mais convenha”. O que mais convém é uma definição muito individual, e que varia de ser para ser, portanto, não se enquadra de forma plena em generalizações ou no senso comum.

Vamos então definir como RPGs Alternativos aqueles jogos que apresentam formas atípicas de se jogar. Entretanto, se no RPG o limite é a imaginação, então como poderíamos definir o que é atípico ou alternativo? Apesar disto, devemos lembrar que existem certas convenções, ou paradigmas, com relação ao RPG. Por exemplo, um dos Jogadores será o Mestre, que narra a história, e cada um dos outros interpretará um personagem. No RPG Dust Devils, um western que usa cartas no lugar de dados, as seções de jogo são divididas em rodadas, onde se alterna o Jogador que será o Mestre, tal qual o croupier de uma mesa de pocker. Em Busca Final, um jogo de fantasia medieval que também usa cartas, há uma carta, que se jogada por um Jogador, equivale a um sucesso decisivo mais do que aprimorado, permitindo que ele – e não o Mestre – narre a toda a cena do seu êxito. Em Wraith: The Oblivion – título conhecio da White Wolf – os Jogadores interpretam ao mesmo tempo as almas penadas dos seus personagens (a Psiquê) e o lado maligno e amargurado da alma do personagem de outro Jogador (a Sombra).

Agora a maior de todas as polêmicas. Alguns afirmam que para um RPG ser Indie, não basta ele ser produzido e distribuído de forma independente. Ele precisa ser exótico, como muitos títulos obscuros que só chegam às mãos de meia-dúzia de jogadores e que apresentam formas de interpretação de vanguarda. Porém, como vimos acima, o quão exótico é um jogo não interfere no modo com ele é produzido e distribuído. Ser ou não independente diz respeito à forma de comercialização de um jogo. Enquanto ser ou não exótico diz respeito ao seu conteúdo.

Mas... E os Alternativos Indie?

Como muitos já devem ter notado no meio RPGístico, a maioria dos títulos alternativos sai de forma independente. Isto se deve, simplesmente, pela lógica de mercado adotada. As grandes editoras de RPG visam o lucro e apostam quase todo o seu capital nos jogos mais tradicionais, que geram um retorno mais certo e imediato. Além dos jogos, elas também comercializam dados, miniaturas e outros acessórios para os mesmos, coisas que nem sempre são necessárias em RPGs alternativos. 

6 comentários:

  1. Valeu Bones, por mais uma postagem!

    Como disse, Indie não necessariamente é alternativo! Para mim o conceito de Indie ficou bem mais claro agora!

    Abraços e sucesso no blog!

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  2. ótimo.
    o druida quando vc der uma passada lá na arena vota na enquete por favor .

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  3. Parabéns pela discussão. Acho um tema interessante. Não sei se entendi bem, mas parece que você diz que indie é uma categoria social (opõe o mainstream aos inidies) e alternativo é uma categoria estética (opõe o habitual ao exótico).
    Se não me engano, o pessoal do The Forge, que lançou o indie-RPG nos Estados Unidos, também fala de indie como o jogo autoral, ou seja, aquele sobre o qual o autor detém poder o mais amplo possível de composição.
    Pensando aqui com meus botões, no caso dos jogos, suponho este "poder autoral" atravessaria regras, ambientação, apresentação e materialidade.
    Regras e ambientação a gente sabe bem o que é.
    Apresentação, porém, seria o texto, a imagem, as formas, digamos, imateriais que expressam o jogo.
    A materialidade seria a corporificação das formas de expressão. Hoje em dia isto se daria em forma analógica (papel, por exemplo) ou digital (e-book, por exemplo).

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  4. Isto msm. Vc foi até + fundo do q eu neste assunto.

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  5. Alguem pode informar uma lista de RPG Indie. Considero:

    M&M,
    Mighty Blade

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  6. Tagmar 2 (não o 1) tb é indie. O Old Dragon e o Reinos de Elgalor apresentam características indie, + como têm editora fica difícil d definir.

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