Old School – Parte II


Mestres e Jogadores (por F.L.Dias)

São os mestres e jogadores de RPG que criam em conjunto a aventura. No jogo Old School (OS), cada um contribui para que a sessão de RPG se torne realmente divertida.

O mestre tem o papel de narrar e descrever para os jogadores o cenário. Escutar quais são as ações dos PJs e decidir as chances de ele ser bem sucedido. Quando necessário, ele pedirá para fazer uma jogada de dados. Nesse ponto de vista, o mestre New School e Old School se parece. Entretanto, é na narrativa que o mestre OS faz a diferença.  Ele simplesmente não aplica as regras; ele narra as ações dos personagens. Transforma uma jogada de dados em algo concreto. Quando o jogador diz que seu personagem se escondeu atrás de um barril no covil dos orcs e falha, ele narra: “Você entrou atrás do barril, tentando se esconder, mas pisou no rabo de um rato que guinchou alertando os orcs”. Aquele rato não estava lá, mas a falha ou o sucesso na jogada de dados fez um sentido no mundo do jogo.

Os jogadores, por sua vez, contribuem com a narrativa. O jogador OS não joga os dados levianamente. Ele descreve as ações de seu personagem deixando claro o que faria naquela situação. O Jogador OS não usa dados para resolver um enigma. Ele pensa a respeito e responde a charada. Se ele deseja verificar se na sala tem uma passagem secreta ele não dirá: “Vou fazer um teste de Arquitetura no mausoléu para detectar uma passagem secreta”. Ele interpreta a cena e diz: “Investigarei a entrada do mausoléu. Apertei os olhos da estátua para ver se existe algum mecanismo escondido”.

No caso acima, se o mestre decidiu que para abrir a porta secreta era necessário apertar os dois olhos da estátua, o jogador a encontrou automaticamente, sem a necessidade de jogar dados. Mestre e jogador utilizam o bom senso. A narrativa e ações dos jogadores ganham substância e a aventura fica mais divertida.

11 comentários:

  1. Me desculpe cara, mas sinceramente, acho que isso tem mais a ver com "Bom Senso" ou "Nexo" do que ser Old ou não New.

    Jogadores e Narradores apelões e sem sentido, onde tudo gira em rolagens de dado sempre exisitiram e sempre vão existir.

    Ou seja, a briga deveria ser entre "Narrativistas e Gamistas" e não entre Old e New, pois ista denominação subtende-se que o Antigo era narrativista e o Novo é Gamistas, sendo que este estilos são determinados pelo narrador e jogadores.

    Por exemplo, muitos dizem que o Vampiro A Mascara é Old School, porem, de acordo com o que vejo, nunca poderiam estar mais errados, pois ele possui mais teste que o Requiem, existe mais foco nas regras que na narrativa e o nível de poder extrapola o conceito "old" da coisa.

    Seu texto é otimo, mas para mim, muito confudem "Estilo DO Jogo" com "Estilo DE JOGO", assim como muitos não diferenciam Sistema de Cenário!

    Até mais

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  2. Os jogos de RPG mais lotados de regras surgiram na primeira década do RPG, e eles são considerados Old school. Não tem problema como eles eram cheios de regras, os jogadores apenas não tinha aprendido o significado de apelação cmo aprenderam em massa na "Era D20". Acho a iniciativa de Old School no Brasil muito legal mesmo, mas espero que todos não fiquem confundindo isso com algo haver com sistema de regras porque isso é apenas um estilo de jogo onde o jogador e o mestre querem envolver seus personagens no mundo do jogo como se fossem eles mesmo que vivem lá. O Old School é olhar seus personagens com outros olhos, com olhar e imaginação de uma criança em um mundo maravilhoso de imaginação onde você pode conhecer centenas de lugares novos, conversar com pessoas exóticas de terras distantes e ser um heroi lendário.

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  3. eu achei que o artigo ficou muito bom .
    pra mim o melhor jeito de jogar é o old school .
    pois ele realmente vai como está no nome rpg :
    jogo de INTERPRETAÇÃO DE PAPEIS .
    nele os jogadores e mestrar viajam muito mais na imaginação do que se ficassem fazendo rolamentos e rolamentos de dados .

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  4. Esse debate está bastante interessante! Na visão do RafaelKain, o termo "Old School" realmente perde o sentido quando levamos para o lado da narração.

    Se o modo de jogar é o fator mais importante no movimento OS, poderíamos dizer que não existem sistemas OS, mas jogadores OS?

    Fnord!

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  5. Eu msm tive uma experiência OS com o D&D 4a ed. C num fosse comigo eu nunca acreditaria! Era uma aventura q eu joguei no 8o QJRPG, onde o Mestre ia narrando a história em fragmentos, e os Players iam preenchendo as lacunas através de flashbacks. É lógico q alguns sistemas e cenários privilegiam o estilo OS, + concordo com o Druida q OS são antes d td os jogadores.

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  6. Tb axo importante expor o meu ver nesse debate OS X NS: há uma enorme diferença entre "gamer" e NS. O gamer, ou tb conhecido como Advogado das Regras, pode ou não ter um senso crítico e interpretativo + apurado, o q determina c ele é OS ou NS, e não o seu apego pelas regras. No caso do NS, esta é a sua "muleta", por assim dizer, pois permite uma maior sobrevivência do seu PC, usando a regra pra fazer personagens + poderosos. No caso do OS, esta é uma peculiaridade do jogador, tais como c simpatiza + por combatentes, ou por magos, gosta + d drama, etc. C o Mestre tb for OS, ele deve "frear" esta tendência gamer apenas qdo ela c tornar um estorvo para o jogo.

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  7. E pra terminar, eu gostaria mto q um Player realmente NS viesse debater no bolg (ou em outro blog) pra defender seu ponto d vista. Nunca vi alguém q c assumisse New School, apesar d conhecer vários jogadores NS. Então fica ae o convite, vamos ser bonzinhos com vcs. Senão este debate estaria meio incompleto na minha opnião.

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  8. José, na verdade nunca vi um jogador que assumisse ser NS. Acaba que New School e Old School são rótulos, e na minha opinião um market bom para os RPGs.

    Estendo o seu convite também! Seria interessante ouvir o ponto de vista de quem se considera New School!

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  9. Não sou jogador, mas mestro D&D 3.5 (meu sistema preferido) e já mestrei D&D 4ª Edição, embora a proposta não tenha me agradado muito.

    Se servir de alguma coisa, ai vão minhas opiniões:

    “Vou fazer um teste de Arquitetura no mausoléu para detectar uma passagem secreta”.
    Sinceramente, nunca vi alguém jogar assim. Nas minhas mesas, os jogadores descrevem o que vão fazer e eu determino se uma jogada é necessária ou não e se for, qual a jogada a ser realizada. Os jogadores são proibidos de rolar os dados sem a minha permissão.

    Na hora do combate, quando um personagem ataca, por exemplo, ele realiza a jogada e calcula o dano e eu, depois de dizer o que aconteceu com o alvo, peço para que o jogador descreva a ação, com base nos resultados.

    Sobre interpretar: pra mim, interpretar significa agir como o personagem agiria naquela situação. Portanto, se o guerreiro atacaria o orc com sua espada, não vejo nada de errado no jogador dizer que ataca o orc com sua espada.

    Sobre as regras: numa comparação com a 1ª/2ª Edição e a 3.x/4ª Edição do D&D: eu gosto das regras das novas edições simplesmente porque elas são são melhores que as regras das edições antigas. Convenhamos, as jogadas de ataque e os testes de resistência do D&D 3.5 são muito mais simples, abrangentes e refinadas que as horríveis jogadas de proteção e regras de THAC0 do AD&D. Acho que é por isso que um jogador new school gosta tanto das regras, porque elas são mais simples e atraentes.

    "Quando o jogador diz que seu personagem se escondeu atrás de um barril no covil dos orcs e falha, ele (o Mestre) narra: “Você entrou atrás do barril, tentando se esconder, mas pisou no rabo de um rato que guinchou alertando os orcs”. Aquele rato não estava lá, mas a falha ou o sucesso na jogada de dados fez um sentido no mundo do jogo."

    Essa é a minha maneira de mestrar. As jogadas de dados são necessárias apenas quando o sucesso ou falha na jogada traria alguma consequência relevante.

    Na verdade, não sou nem Old nem New School. Estou mais para "Cagando e Andando School" Hehehe! E se alguém quiser conhecer minha maneira de mestrar, basta conferir meus diários de campanha (em resenha e podcast) aqui: http://blogdomestrewalla.blogspot.com
    Um abraço a todos.

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  10. Sábias palavras mestre. Vou tentar usar suas dicas na minha campanha.

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  11. Estamos aqui pra isso. Hehehe.
    Ah, sobre a parceiria, eu mandei um e-mail em resposta, só não sei se chegou...

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